Estrada ruim prejudica o escoamento da safra
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terça-feira, 01 de julho de 1997
Elisa Marilia 
Curitiba
Transportar a safra de cítricos de Cerro Azul está exigindo algum sacrifício dos motoristas que enfrentam os 59 quilômetros de estrada de terra. O terreno acidentado e vários pontos de atoleiros desanimam ainda mais os pequenos citricultores, que também reclamam do baixo preço da laranja e da poncã.
Máquinas do DER tiram dezenas de caminhões do atoleiro por dia. Ontem de manhã, em um dos piores pontos da estrada, com muita lama e subida, um caminhão de Maringá (placa BWS 7511) trancava a passagem. Ninguém mais conseguia passar. Estamos tentando chegar a Cerro Azul há dois dias. Viemos de Maringá para carregar em Cerro Azul e levar a carga até Cuiabá (MT). Mas com o atraso de dois dias o frete não vai compensar, contou o motorista Willyam Batista.
O encarregado de obras do DER Mauro do Carmo estava, ontem, entre um caminhão e outro. Vamos ter que ficar por aqui até que a estrada seque, para só depois cobrir com saibro, disse. Segundo o diretor geral do DER, Paulo Dalmaz, a situação piorou muito com as chuvas dos últimos dias.
Os moradores da região dependem do ônibus da prefeitura para sair de casa. Se acontece alguma coisa de urgência, a gente tem que ficar na estrada tentando uma carona. Por aqui não tem nada, nem posto de saúde, reclama a sitiante Verli Faria de Bonfim.
Os citricultores estão vendendo a caixa das frutas a R$ 1,00. Por este preço cerca de 50% dos produtores não vão nem começar a colher. Não compensa, disse o secretário da Agricultura de Cerro Azul, Arthur Aiçar de Suss.
De acordo com o secretário, a estrada entre Rio Branco do Sul e Cerro Azul está praticamente abandonada. Não recebemos nenhuma atenção do governo do Estado, mesmo o governador Jaime Lerner tendo levado 85% dos votos daqui, reclama.


