Viagem em família é sempre igual: a mãe prepara um lanche para a garotada, que se esbalda e deixa migalhas por todos os cantos escondidos do carro. Tem também aqueles que preferem deixar a pequena lixeira do veículo intacta e atiram restos de alimentos, latas, garrafas, pacotes e bitucas de cigarro pela janela. Quem já não viu esta cena, tão comum no trânsito brasileiro? Pois a falta de educação de uns, uma hora ou outra, causa prejuízos aos demais, acendendo a velha discussão sobre direitos e deveres do cidadão.
Conforme o tenente Pedro Ramos, da Polícia Rodoviária Estadual, durante um patrulhamento é comum os policiais registrarem motoristas atirando latas e embalagens de salgadinho pela janela, bem como cigarros ainda acesos, que em contato com a grama dos acostamentos pode iniciar um incêndio. ''Os motoristas não têm o cuidado nem de ver se tem gente olhando e jogam mesmo. Já prendemos até motoristas que estavam bebendo enquanto dirigiam e jogaram latas de cerveja pela janela'', diz o tenente.
De acordo com o artigo 172 do Código de Trânsito Brasileiro atirar do veículo ou abandonar na via objetos ou substâncias é uma infração média, passível de multa. Segundo o tenente, no Paraná, a PRE tem intensificado a fiscalização em locais onde é comum a passagem de veículos que podem deixar cair conteúdos de modo esporádico, como caminhões que transportam cana-de-açúcar, areia, pedras e grãos. ''Quando a viatura cruza com o caminhão o policial já percebe se ele pode ou não derramar sujeira na pista.''
Para Ramos, o transporte em massa é o que mais causa preocupação, já que a queda de conteúdo dos caminhões pode resultar em danos imediatos aos veículos que circulam na traseira e ao lado. ''A longo prazo, o acúmulo de areia, pedra ou grãos na pista favorece o entupimento dos bueiros quando chove, deixando a pista alagada, podendo causar acidentes'', comenta. Já o acumúmulo de entulho e lixo doméstico é comum na área urbana, mas em menor frequência, pois a limpeza é constante.
Ramos cita ainda o descarte de embalagens plásticas, que se acumulam nos acostamentos, causando dano ambiental, além da poluição visual. ''Cabe aos responsáveis pela área de domínio da rodovia, seja o DER ou as concessionárias, fazer a roçagem, limpar os bueiros e a sujeira da pista para evitar que o lixo vá para as canaletas pluviais'', informa o tenente.
Para ele, mesmo com o patrulhamento, ''o descaramento das pessoas ainda é muito grande''. ''Como a infração é média e o valor da multa é baixo, o prejuízo financeiro é insignificante e não educa'', opina.
Num giro rápido pelas rodovias BR 369, PR 445, Carlos João Strass e João Alves da Rocha Loures a reportagem não flagrou nenhum motorista atirando objetos para fora do carro. Mas localizou alguns pontos com entulhos e lixo doméstico jogados nas margens da pista, próximo aos bairros.

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