Estrada do Colono obtém vitória na Câmara Federal
Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
A Comissão de Desenvolvimento Urbano e Interior da Câmara Federal aprovou anteontem, por unanimidade, parecer ao substitutivo do projeto do deputado Werner Wanderer (PFL-PR), que classifica a Estrada do Colono, que corta o Parque Nacional do Iguaçu, como de área de uso intensivo.
A medida é interpretada como um importante passo para a abertura legal da estrada, que vem sendo mantida em funcionamento ilegalmente há um ano e onze meses por moradores e políticos das regiões Oeste e Sudoeste do Paraná.
A votação na Câmara ocorreu no mesmo dia em que foi anunciada a decisão do Comitê de Patrimônio da Unesco (órgão das Nações Unidas para a preservação do meio ambiente, da cultura e de bens históricos), de incluir o parque na lista internacional de Patrimônios da Humanidade em Perigo. O principal fator que pesou na decisão do grupo é exatamente a abertura da estrada, que corta o parque em 17,6 quilômetros e liga os municípios de Capanema (Sudoeste do Estado) e Serranópolis do Iguaçu (Oeste).
O substitutivo ao projeto original foi elaborado depois que deputados da comissão visitaram a estrada, no início de outubro. Segundo Wanderer, a aprovação por unanimidade é um reflexo da boa impressão que os parlamentares tiveram da conservação ambiental na área do parque cortada pela estrada. As pessoas que são contra a reabertura nunca estiveram no local, afirmou o deputado.
Pelo substitutivo aprovado, uma faixa de 40 metros de cada lado da via passaria a ser considerada de uso intensivo, onde é permitida a presença humana. Os dois Planos de Manejo do Parque do Iguaçu o antigo, elaborado em 82, e o novo, cuja entrada em vigor está atrasada há mais de dois anos classificam essa área como intangível (onde não é permitida a presença humana).
A não-implementação de um plano de manejo é outro fator que levou o comitê da ONU a ameaçar a cassação do título de Patrimônio da Humanidade concedida ao Parque do Iguaçu em 1996. O terceiro fator é a utilização de helicópteros para sobrevôos turísticos nas Cataratas. Para não perder o título, o governo brasileiro terá dois anos para resolver esses três problemas.





