Especial para a Folha
A abertura da Estrada do Colono é a principal divergência do Fórum Pró Conservação da Natureza no Paraná com as autoridades estaduais e federais. A reclamação está presente em sete das 14 denúncias da Lista Suja, publicada ontem pelo Fórum, que indica responsáveis por danificar a natureza. A lista é divulgada anualmente para marcar o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado hoje.
As entidades ambientalistas acusam pessoas e empresas de poluição, desmatamento, falta de fiscalização e de controle ambiental. Ao lado dos nomes, estão as acusações de crimes cometidos e a pena prevista para cada caso. A abertura da Estrada do Colono é a reclamação contra o ministro Rafael Greca, os diretores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Luiz Antônio Mello e Júlio Gonchoroski, o secretário de Estado do Meio Ambiente, Hitoshi Nakamura, o presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), José Antônio Andreguetto e contra a Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono.
A estrada faz parte do Parque Nacional do Iguaçu, que é patrimônio natural da ONU. Ela foi fechada em 1986 para evitar o devastamento da região e a extinção dos animais, mas há dois anos os moradores das cidades de Serranópolis e Capanema, por onde passa a via, voltaram a utilizá-la. Uma liminar do Superior Tribunal de Justiça decretou o fechamento da estrada, há dois meses, mas até hoje ela continua sendo usada.
O presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), José Antônio Andreguetto, concorda com os ecologistas que uma atitude tem que ser tomada a respeito da estrada, mas afirma que o Estado não pode fazer nada enquanto o Ibama não liberar o plano de manejo da área. ‘‘Depois de pronto o plano de manejo, nós vamos, junto com o governo federal, que é o responsável pelo Parque do Iguaçu, tomar uma atitude efetiva para o fechamento da estrada’’, responde.
Indústrias - As madereiras Bortolanza e Serraforte estão sendo acusadas pelos ambientalistas do Paraná de explorar a araucária e imbuia, espécies ameaçadas de extinção na região Centro-Sul do Estado. A Indústria Popasa, que fabrica papel higiênico, entrou na lista por lançar resíduos sólidos e líquidos no Rio Timbu, na bacia do Rio Iraí, na Região Metropolitana de Curitiba. O IAP autuou a empresa pela prática poluente.
O Fórum Pró Conservação da Natureza vai encaminhar a relação de nomes e crimes contra a natureza para o Ministério Público Federal e Estadual.

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