Estrada da Ribeira vira um atoleiro
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terça-feira, 19 de setembro de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
O cenário aparenta ficar no outro extremo do Brasil, em plena selva amazônica, mas está apenas a 40 quilômetros de Curitiba. Atolados no barro, caminhões e ônibus só avançam pela rodovia com o auxílio da força dos tratores. As máquinas, que deveriam preparar o asfaltamento dos 90 quilômetros da Estrada da Ribeira até a divisa com São Paulo, são usadas para impedir que ela vire um lamaçal.
Responsável pela alteração da paisagem da estrada, a chuva também atrasa a pavimentação. O tratorista Arcendino Rodrigues dos Santos, 29 anos, conta que chega a rebocar cerca de 80 veículos em época de mau tempo. Hoje (ontem) é o pior dia. Não dá para mexer, tem que esperar secar, diz. Ao contrário das estradas do Norte do País, onde centenas de quilômetros ficam intransitáveis, o trecho de maior dificuldade da BR-476 tem cerca de 2 mil metros, em Bocaiúva do Sul, Região Metropolitana de Curitiba.
Vou ter que passar a noite por aqui, lamentava o caminhoneiro Lucídio de Paulo Santos, 47 anos, ao ver pela frente buracos e montes de barro que cobriam a estrada. Santos vinha de Tunas do Paraná com uma carreta que transportava para Curitiba dois blocos de granito. Juntos, pesavam 45 toneladas. Com medo de tombar o caminhão e perder a carga, ele desistiu de continuar a viagem. O cabeleireiro Aluísio Assolari, 33 anos, veio de Curitiba para ver um sítio às margens da rodovia. Ele voltou para Capital porque temia que o carro, uma Ford Belina ano 85, não aguentasse ser puxado por um trator.
Outro caminhoneiro, Marcos Ferreira de Oliveira, 31 anos, estima que a viagem de duas horas entre Agudos do Sul e Bocaiúva não seria feita em menos de quatro horas. Usuário frequente da Ribeira, Oliveira acredita que se a estrada recebesse saibro, a resistência poderia ser maior. O problema é que deixam a terra ficar acumulando e aqui passa caminhão direto. A estrada não aguenta, diz.
Os seguidos temporais adiaram os planos da dona de casa Noeli de Souza Tavares, 27 anos. Desde o dia 11 deste mês, ela tentava se mudar do município de Tunas do Paraná para Bocaiúva. Com a mobília em cima de um caminhão Chevrolet modelo 1980, Noeli e os três filhos enfrentavam ontem à tarde o ponto mais delicado da estrada. Depois de 40 minutos de manobras, o caminhão venceu a erosão sem precisar ser rebocado.


