Maurício Borges
De Apucarana
1 - Aos 10 anos, E.B. já fumava maconha e praticava pequenos furtos. Sua vida era gazear aulas e perambular pelas ruas, quase sempre promovendo atos de vandalismo, acompanhado por amigos do mesmo perfil. Era assíduo frequentador do Conselho Tutelar do Menor de Apucarana, que tentou sem sucesso integrá-lo em duas entidades assistenciais da cidade.
Depois de dar muita dor de cabeça à sua mãe (empregada doméstica) e seu pai (segurança), E.B. parece mudado. Para ele – e outros menores infratores e mais problemáticos – as autoridades entenderam que seriam necessários maior rigor e disciplina, além do acompanhamento permanente de psicólogas, assistentes sociais, professores e outros profissionais. E isso foi conseguido com o Projeto Formando o Cidadão, através de uma parceria firmada entre o 10º Batalhão da Polícia Militar e a Secretaria do Trabalho e Ação Social, de Apucarana.
Incorporado há dois anos ao grupo, E.B., agora com 12 anos, reconhece seus erros de conduta e passou a dar muito valor à escola e aos ensinamentos que têm recebido diariamente no batalhão. ‘‘Eu furtava barras de chocolate e outras coisas em supermercados e estava começando a usar drogas; hoje dou graças a Deus por ter a chance de uma nova vida’’, diz o garoto.
Dentro do Projeto Formando o Cidadão, a criança têm, diariamente, deveres a cumprir e recebe orientação de uma equipe de oficiais e profissionais da Secretaria do Trabalho e Ação Social. ‘‘No quartel a gente tem aulas de karatê, natação, música, educação física e até reforço escolar’’, lembra E.B. Como forma de incentivo, sua família também recebe todos meses uma cesta básica de alimentos. ‘‘Estou recuperado. Quero estudar e me tornar advogado’’, diz o menino.
Nos próximos dias o ex-menino de rua ganha mais uma oportunidade. Ele será contratado para trabalhar na Zona Azul de Apucarana, garantindo um rendimento financeiro para ele e sua família. ‘‘A exemplo do E. B. outros garotos são avaliados periodicamente e, de acordo com sua conduta e responsabilidade, são encaminhados ao mercado de trabalho’’, comenta o tenente Vilson Laurentino da Silva, do 10º BPM.

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