Estou indignada, afirma doadora de acervo pessoal
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quinta-feira, 09 de outubro de 1997
Londrina 
Milton DóriaCaso de políticaO professor Carlos Okawati e a jornalista Ana Marta Garcia: doadores criticam o desvio de volumesEu quis dividir aquela riqueza toda. Era muito para uma pessoa só. Foi um ato muito legal, de coração. Não posso aceitar esse absurdo. Indignada com a permuta dos livros doados à Biblioteca Municipal e revoltada com a venda de livros entregues à Universidade Estadual de Londrina (UEL), a jornalista Ana Marta Garcia da Silva, viúva do arquiteto Luís César da Silva, disse que está disposta a colaborar com o que for preciso para ver esse caso resolvido.
Ela conta que, além dos 8 mil livros doados à Biblioteca da UEL e dos quase 4 mil entregues à Biblioteca Pública Municipal, também fez a doação de 3 mil discos de vinil e de quase 300 CDs. Estou indignada.
Inconformado também está o professor Carlos Okawati, que doou há quatro anos 3.040 livros para a Biblioteca Municipal. Quando a gente cede para uma biblioteca pública é para que todos tenham acesso ao material, diz. Um livro numa instituição pública tem valor de uso. Quando é entregue para uma livraria, vira mercadoria, objeto de especulação.
Considerando gravíssima a permuta de 556 livros ocorridas de 25 de julho a 5 de agosto, Okawati afirma que entre os exemplares repassados pela biblioteca pública à livraria Lido, estão alguns considerados raros. Ele mostra na relação das permutas obras de história geral, como os Britanicca Great Books, com 48 volumes, Obras Completas e Ilustradas do escritor russo Dostoiévski e Viagem Pitoresca e Histórica do Brasil, de Jean Debret. Há ainda livros alternativos e raros que não poderiam ser descartados.
O professor questiona o fato de as permutas acontecerem somente com a Livraria Lido e diz que o documento que registra a permuta contém erros graves como nomes errados dos livros e autores, que dificultam a identificação. Além disso o nome da dona da livraria está grafado apenas como Beth, é muita intimidade num documento.
A dona da livraria, Elizabeth Camargo da Silva, disse que a livraria mantém permutas ocasionais com bibliotecas públicas e particulares. Para ela, se o procedimento é incorreto, cabe ao órgão público esclarecer e corrigir a situação.


