Londrina

César AugustoBoa açãoBanco de Leite do HU: seria preciso duplicar número de doadoras fixas para atender a todos os pedidosO estoque de leite materno do Banco de Leite do Hospital Universitário (HU) de Londrina está no fim. Dos 50 litros mantidos normalmente em estoque para atender casos de urgência, restam apenas cinco litros. A vice-coordenadora do programa, a enfermeira Marli Vannuchi, explica que a demanda vem crescendo e o número de doadoras ‘estacionou’.
Para atender a todos os pedidos, a enfermeira acredita que seria preciso duplicar o número atual de doadoras fixas - cerca de 100. No mês passado foram coletados 108 litros de leite materno e distribuídos 140 litros, atendendo a 84 crianças - 70 delas hospitalizadas em instituições de Londrina, Cambé, Rolândia e Maringá. ‘‘A demanda aumenta porque as pessoas ficam sabendo do trabalho que desenvolvemos e nos procuram’’, explica Marli Vannuchi.
Criado para incentivar o aleitamento materno, o Banco de Leite do HU atende crianças prematuras com quadro de diarréias e, também, crianças alérgicas a outros tipos de leite.
Além das mães que dão à luz no HU, o Banco de Leite conta com doadoras externas - mães que têm excesso de leite e se prontificam a fazer a doação. ‘‘Todas as mães que estão amamentando podem ajudar. Basta ligar que nós vamos até a residência da pessoa, damos todas as orientações e, depois, voltamos para buscar o leite’’, afirma Marli Vannuchi. Os técnicos do Banco de Leite vão até a residência da doadora para explicar como coletar e guardar o leite.
O Banco de Leite fornece também o frasco esterilizado para guardar o leite coletado. A enfermeira frisa que o Banco de Leite não paga nem cobra nada pelo serviço. ‘‘É uma doação para as crianças que precisam deste alimento, que é mais saudável e indicado, principalmente, em situações críticas de saúde.’’
Uma das orientações que a mãe recebe dos técnicos do Banco de Leite é sempre amamentar primeiro o filho, deixando para coletar o excedente depois. Marli Vannuchi explica que a doação não prejudica a amamentação e pode funcionar inclusive como estímulo para a produção de leite. Ela afirma que, quanto mais a criança suga, mais leite o corpo da mãe produz.
A quantidade de leite excedente varia de mulher para mulher e é de, em média, 150 mililitros por dia. Isto não significa, no entanto, que a mulher não possa doar mais. Há casos, conta a enfermeira, de mães que têm muito leite e conseguem doar quantidades bem acima da média.
Uma vez coletado, o leite é guardado no congelador e a equipe do Banco de Leite passa, periodicamente, para buscar a doação. ‘‘Normalmente passamos de dois em dois dias. Mas, quando a doadora tem muito leite, buscamos com mais frequência. A doadora não precisa se preocupar com nada’’, comenta Marli Vannuchi.
Todo leite doado passa por um processo de pasteurização: é aquecido a 62 graus centígrados por 30 minutos e depois resfriado rapidamente. O processo garante a eliminação de todo microorganismo que possa ter contaminado o leite. O vírus da Aids, por exemplo, é eliminado ao ser exposto à temperatura de 56 graus centígrados, por 30 minutos.
Mesmo depois de pasteurizado, o leite passa por um exame microbiológico. Uma amostra da doação é encaminhada ao Laboratório de Microbiologia de Alimentos da UEL, que faz a análise do leite. Só depois de aprovada, a doação é colocada à disposição das instituições.
Serviço - As mães interessadas em contribuir com o Banco de Leite podem ligar para (043) 371.2390.

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