Para os docentes Letícia Baddauy e Celso Leopoldo Pagnan, o melhor lugar para se estimular o processo de simplificação da linguagem é a universidade. No curso de linguagem forense da Unopar, Pagnan ensina que há momentos específicos para aplicar termos técnicos ou usar um vocabulário mais simples.
''A gente sempre costuma dizer que o falante tem que ser poliglota na própria língua. Ele não precisa falar errado quando se dirige a um analfabeto, mas também não precisa ser erudito. É um princípio de comunicação: se adequar ao receptor'', explica o professor. Segundo ele, o profissional de Direito tem que dominar duas ferramentas: o conhecimento das leis e a língua.
Letícia concorda. ''Somos profissionais cujo instrumento de trabalho é a linguagem. É preciso ter boa expressão escrita e verbal, o que não significa usar arcaísmos e palavras desnecessárias'', afirma, acrescentando que mudanças na linguagem utilizada no meio jurídico passam necessariamente pela formação. ''Tenho alunos de 20 anos usando termos que nem eu uso em minhas petições, porque viram nos escritórios onde trabalham. Você acaba absorvendo aquilo e daqui a pouco está falando como se fosse natural'', observa.
Pagnan acredita que a própria popularização dos cursos de Direito, antes elitistas, estão forçando o processo de simplificação da linguagem jurídica. ''É uma exigência até por conta desse novo público que está fazendo Direito. Para os mais tradicionalistas, é o fim. Mas há um ganho sob o ponto de vista de uma maior integração, tanto para os aspirantes a profissionais de Direito, quanto para o público leigo.'' (V.N.)

mockup