Rolândia - Uma ideia simples como a de recompensar crianças e adolescentes pelas boas atitudes está começando a transformar a preocupante realidade de Rolândia (Norte), município de cerca de 60 mil habitantes que já registrou nos três primeiros meses do ano seis assassinatos de jovens. Desde outubro do ano passado os 120 alunos matriculados no Projeto Criar, mantido pela Secretaria Municipal de Assistência Social no contraturno escolar, participam toda última sexta-feira do mês do Bazar do Comportamento, idealizado para estimular a convivência pacífica, tanto dentro como fora do projeto.
Nas semanas que antecedem o bazar, cada boa atitude significa um ''sim'' na ficha de avaliação do aluno. Cada sim, por sua vez, é convertido em 2,5 pontos, ou R$ 2,50, como eles preferem dizer. Os ''nãos'' por sua vez, são sinônimo de perda de pontos. No dia mais esperado do mês, eles recebem um cupom com o valor que têm acumulado, e aí todos se põem a fazer contas para saber o que poderão levar para casa. Tênis, bonés, camisetas, skates, rollers e bicicletas são os principais objetos de desejo, mas roupas de todo tipo, sapatos, bolsas, bijuterias e outros brinquedos também são oferecidos. As mercadorias - novas e seminovas - são fruto de doações de empresas e pessoas da comunidade.
O bazar foi idealizado pelo professor de Educação Física Odyr Giordani Junior como forma de organizar a distribuição das doações que chegavam ao Criar e, ao mesmo tempo, resgatar valores como respeito e responsabilidade. ''Tem sido melhor do que imaginávamos. Estamos percebendo, por exemplo, que as famílias estão participando mais, se envolvendo com a vida escolar das crianças. Já estamos até pensando em realizar um bazar para os pais - onde a referência seriam os pontos acumulados pelos filhos -, pois ganhamos muitas roupas e sapatos de adultos'', diz o professor.
A assistente social do projeto, Simone Carvalho Lima, afirma que o bazar tem causado uma ''revolução'' nas relações interpessoais, além de estimular o raciocínio das crianças e jovens. ''Percebemos ainda que é um estímulo ao amadurecimento. Hoje eles dão mais valor ao que conseguem adquirir, esforçam-se para obter o que querem e exercitam a capacidade de esperar'', observa Simone.
Os resultados do Bazar do Comportamento já chamaram a atenção da administração do município, que pensa em implantar projeto semelhante nos dois Centros de Referência de Assistência Social (Cras), onde são atendidas crianças e adolescentes de seis a 17 anos.
O secretário municipal de Assistência Social, Fabrício Paiva, lembra que o Projeto Criar também vai começar em breve a promover a inclusão produtiva dos pais, por meio de oficinas de capacitação em marcenaria, costura e para soldador, no período noturno, em parceria com o Senai.
''São projetos que visam resgatar os vínculos familiares. Os jovens que estão aqui nunca transgrediram as leis, e queremos que eles nunca transgridam. É um trabalho de prevenção, que vai aparecer daqui a alguns anos no município'', argumenta Paiva.

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