Com quatro filhos, Thais Vanessa Kussano Salvadori tem que se policiar para não fazer alguns deveres no lugar dos filhos. ''Gosto de fazer trabalhos manuais com eles, e às vezes me empolgo.'' Atualmente a família possui uma rotina estabelecida - as lições são feitas no período da manhã, quando a mãe está por perto para orientar, se preciso -, e todos têm consciência das responsabilidades. Mas nem sempre a questão foi tão tranquila. João Pedro, de 10 anos, passou por uma fase em que só fazia tarefa se a mãe estivesse sentada ao seu lado. Leonardo, de 14 anos, também passou a exigir mais atenção da família quando entrou na 5 série.
''Por sugestão da escola, arrumamos uma 'tutora' para acompanhá-los nas lições de casa. Durante um ano ela fez um acompanhamento personalizado, com o compromisso de dar ritmo e organização às crianças. O resultado foi muito bom, ela nos ensinou a comemorar cada conquista'', explica Thais. Segundo ela, a maior dificuldade é lidar com as diferenças de idade entre os quatro. ''A Fernanda (seis anos), por exemplo, está sendo alfabetizada e demanda mais atenção, e os mais velhos ficam com ciúme.''
Porém, a mãe tem consciência do tênue limite entre a dependência e a autonomia dos filhos. ''Eu procuro orientar, estimulo a reflexão para que caminhem sozinhos'', ressalta. Segundo Thais, que também é mãe de Gustavo, de oito anos, determinadas questões são discutidas em família, que é uma forma de estimular a troca de informações. ''Acho que quando os pais participam, acompanham a vida escolar dos filhos, eles se sentem mais seguros. A gente percebe que eles sentem até orgulho do dever pronto.''
Os irmãos Rebeca e Juan Pablo Rius Gonzalez, respectivamente de quatro e 10 anos, são argentinos e vieram com a família de Buenos Aires há dois anos. No começo a família estranhou a quantidade de tarefas enviadas pela escola. ''Lá é bem diferente, tivemos que recomeçar'', define a mãe, Paula Graciela Gonzalez. Ela diz, porém, que os filhos não tiveram problemas para passar de ano e hoje estão bem adaptados ao sistema de ensino. ''Sabemos que eles têm capacidade e não cobramos demais deles. Falamos que é importante entender, e não decorar'', diz a mãe.
Paula e o marido têm a preocupação constante de incutir o hábito de leitura nos filhos, e se empolgam quando os pequenos trazem para discussão familiar os temas trabalhados em sala de aula. O casal faz questão de estar por dentro do conteúdo que os filhos estão aprendendo na escola. ''História do Brasil, por exemplo, estamos aprendendo junto com eles'', brinca a mãe. (S.L.)

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