Maigue Gueths
De Curitiba
Luis Cesar Gayer, de 34 anos, sofreu um acidente de moto há três anos, que o deixou paraplégico, com a perda de todos os movimentos abaixo do peito. Hoje, ele já consegue contrair e descontrair os músculos de abdômen e fica em pé sem ajuda de aparelhos ou estimulação. Esta melhora é resultado de uma disciplina rígida seguida por Gayer. Além de fazer exercícios diariamente, ele ingressou como voluntário em uma pesquisa para o controle neuromuscular artificial, desenvolvida por uma equipe da Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR) desde 1996, com resultados animadores junto aos portadores de deficiências.
Segundo o professor Percy Nohama, PhD em Engenharia Biomédica, a pesquisa consiste no uso de um sistema de estimulação elétrica neuromuscular que produz contração muscular. O aparelho está sendo desenvolvido há três anos pelo Laboratório de Informática e Engenharia de Reabilitação da PUC e utiliza 16 canais estimulatórios independentes. Equipamentos semelhantes, na verdade, já são usados no Brasil. ‘‘A diferença é que esses aparelhos têm menos canais. Cada um faz um movimento isolado, que não resulta em um movimento funcional. Por isso, é preciso usar os múltiplos canais para produzir e controlar os movimentos funcionais’’, diz Nohama. Isto significa que com os estímulos em vários músculos e nervos, a pessoa pode fazer movimentos como andar, ficar de pé ou pegar objetos.
O trabalho de pesquisa reúne 15 pacientes voluntários, e pode ser usado no tratamento de pacientes hemiplégicos (paralisia em um lado do corpo), causado por acidente vascular encefálico (AVE) – mais conhecido como derrame – ou por lesão da medula; para pacientes com traumatismo crânio-encefálico, que têm movimentos mas não têm controle sobre eles; por tetraplégicos (paralisia nos membros superiores e inferiores) e paraplégicos (paralisia nos membros inferiores).
Os melhores resultados são verificados com os voluntários com sequela de AVE, que obtiveram melhora no equilíbrio do tronco quando caminham, correção da plantiflexão e endireitamento do pé e braços afetados. A fisioterapeuta Denise Nohama conta que a cada sessão há aumento de sensibilidade, redução da intensidade de estímulo, aumento da massa e força musculares. Jordão Carneiro dos Santos, 43 anos, que ficou paraplégico depois de um acidente de moto há seis anos, está há três como voluntário nas pesquisas da PUC. ‘‘Eu não conseguia levantar, não tinha controle urinário nem intestinal, tinha espasmos na perna quando dirigia, e agora não tenho mais nada disso.’’ Santos conta também que hoje já tem mais sensibilidade nas pernas, sentindo formigamento e ardência.
Segundo o professor Nohama, não há previsão de quando o aparelho poderá ser utilizado em clínicas e centros especializados de terapia, pois ainda depende de mais testes.

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