Os moradores do Jardim João Turquino, no extremo oeste de Londrina, enfrentam um drama que no passado incomodou as populações dos bairros Novo Amparo (década de 80), da zona leste, e jardins União da Vitória (início dos anos 90), na zona sul. Localizada na divisa com o município de Cambé (13 km a oeste de Londrina), o João Turquino reúne uma comunidade marcada pela discriminação social devido à carência de suas famílias e o registro de constantes atos de violência e ocorrências policiais.
O problema é que a violência existe, conforme os boletins de ocorrência da polícia registram. E as notícias se espalham e formam a imagem negativa do bairro. ‘‘Estamos muito preocupados com esta imagem errada que está sendo formada sobre o João Turquino. A maioria das famílias daqui é gente de bem. Pobres, sim; mas violentas, não. A violência acontece em todo lugar, mas é causada por uma minoria de vagabundos e bandidos que precisam ser presos’’, afirma o presidente da Asociação dos Moradores, o motorista Rubismar Iani.
O delegado do 3º Distrito Policial (DP) Valdir Abraão da Silva, tem opinião parecida. ‘‘Este estigma de violência é herança do passado, de quando o bairro ainda era uma invasão de sem-teto. Naquela época, realmente ocorreram alguns latrocínios e assassinatos com requintes de crueldade. Mas a normalidade vai aos poucos sendo estabelecida por lᒒ, comenta Silva, ressaltando que alguns homicídios foram causados em consequência da cultura rude dos moradores, vindos da zona rural.
‘‘A discriminação, como vimos em casos anteriores, não resolve o problema. Pelo contrário, ela só aumenta, porque gera mais desemprego, mais dificuldades e mais violência’’, afirma o delegado do 3º DP, responsável pela região oeste da cidade. De acordo com ele, a maioria dos moradores do João Turquino é formada por pessoas ordeiras e trabalhadoras.
No mês passado aconteceu mais um homicídio no bairro. Foi o terceiro do ano. Mas as polícias Civil e Militar não têm dados precisos sobre a incidência dos crimes no local nestes quatro anos de existência da comunidade. ‘‘Mais segurança é prioridade para nós. A população anda meio assustada e está chocada com as mortes brutais’’, diz o vigilante Valdeir Roberto Tomazelli, lembrando que o João Turquino não conta com módulo da PM.
A diarista Neide dos Santos também está preocupada com a falta de policiamento mais constante no bairro. ‘‘A gente se sente insegura. À noite é perigoso, não dá para arriscar a sair pelas ruas sem um motivo muito forte’’, comenta. A presidente da Associação Feminina do bairro, a merendeira Neuci Aparecida de Souza, afirma que a imagem de violência realmente dificulta os moradores na hora de procurar um emprego.
Segundo ela, as empresas dificultam a contratação quando descobrem que o candidato reside no João Turquino. ‘‘Isto é uma injustiça. É só colocar na ficha que é daqui e as pessoas já acham que somos vagabundos ou bandidos. Esta imagem é distorcida. Aqui, a maioria é honesta e sofre muito com o desemprego e a pobreza’’, ressalta.

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