Pela manhã, a dona-de-casa Alice Castorina dos Santos, 45 anos, moradora do Jardim Neman Sahyun (Zona Sul de Londrina), que tem problemas respiratórios, precisou ir ao posto de saúde para fazer inalação. No início da tarde de ontem, a situação, que parecia não poder piorar, piorou. E muito.
Uma queimada na área conhecida como Zerinho trouxe transtornos para a vizinhança e prejudicou a saúde dela ainda mais. ''Com esse tempo seco e a queimada, parece que vou precisar ir ao médico de novo'', queixou-se Alice. Problemas também para os bombeiros, que levaram 20 minutos para apagar as chamas.
A situação que terminou com o sossego da dona-de-casa é bastante comum em dias secos. Outro incêndio foi registrado ontem dentro do Parque Arthur Thomas, também na Zona Sul.
Londrina enfrenta a pior estiagem dos últimos três anos. A chuva mais forte foi registrada de 22 a 25 de julho. Desde então, apenas uma chuva fraca no final de agosto, totalizando 9,8 milímetros. Setembro, até agora, está completamente seco. A média histórica é de 50 mm em agosto e 125 em setembro.
Além das constantes queimadas em terrenos vazios e fundos de vale, a consequência é a queda da umidade relativa do ar, em especial das 11 às 16 horas. E de acordo com o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), o tempo seco deve persistir em Londrina. Existe a previsão de chuva, mas apenas em pontos isolados do município.
A precipitação, no entanto, não será suficiente para reduzir a temperatura, que deve baixar apenas um ou dois graus, com máxima girando em torno de 30 graus. ''As frentes frias que estão chegando ao Paraná não estão tendo força para alterar o cenário de forte calor na Região Norte'', explicou o meteorologista Marcelo Brauer.
Sem chuva, o Corpo de Bombeiros tem de se desdobrar para dar conta do aumento de ocorrências. Pelo menos seis chamados haviam sido registrados ontem até o início da tarde. De acordo com o sargento Valmir Alexandre, a maior parte dos incêndios registrados nessa época é provocado, intencionalmente ou não. E independentemente da intenção do autor, é crime. ''É preciso ter consciência que as queimadas para limpar terrenos são irregulares e representam risco'', alertou Alexandre. Segundo ele, o efetivo da corporação tem sido suficiente para conter os focos.
O soldado Fábio dos Santos Ferreira, da Polícia Ambiental, explicou que as denúncias são a forma mais eficiente de combate aos incêndios criminosos. O telefone da Força Verde para ligação gratuita é o 0800-643-0304 e o denunciante não precisa se identificar.
A denúncia poderia ser a solução para casos como o do Zerinho do Neman Sahyun. Para moradores da vizinhança, o incêndio deve ter sido provocado com o intuito de diminuir a altura do mato do local.
Morador da área, o motorista Rodrigo Ocampos, 31, conta que os incêndios são raros no Zerinho, mas ocorrem com frequência nas proximidades do bairro. A fumaça de ontem fez com que a mulher dele precisasse lavar novamente um varal cheio de roupas que havia acabado de estender. ''Antes, eram as queimadas na Fazenda Refúgio, que acabaram depois que fizemos um abaixo-assinado. Agora, esse problema está ainda mais perto de casa'', lamentou.

mockup