Estiagem castigou região metropolitana da Capital
Por conta do desespero de ficar dois meses sem receber água pelo sistema da Sanepar e de não conseguir o abastecimento de sua caixa dágua pelo caminhão-pipa, Rafael Bernardi, morador de Quatro Barras, Região Metropolitana de Curitiba, pegou um revólver e deu três tiros enquanto corria atrás do caminhão-pipa. Situações como esta, de extremo desespero, tornaram-se comuns, em junho, em cinco municípios da região metropolitana, que foram submetidos ao rodízio no abastecimento de água. Apesar da Sanepar ter implantado sistema prevendo fornecimento de água por 48 horas contra o desabastecimento por 30 horas, era comum as pessoas reclamarem de total falta dágua.
Foi o que aconteceu em Campina Grande do Sul, onde 55 famílias que vivem no condomínio Jardim Paulista, em Campina Grande do Sul, ficaram sem receber uma gota de água pela rede da Sanepar por sete dias, entre 9 e 15 de junho. No dia 16, após denunciarem o caso pela imprensa, a situação se normalizou. Em Quatro Barras, também no dia 15 de junho, os moradores da Colônia Maria José fizeram manifestação. Primeiro município da região metropolitana a decretar estado de emergência pela falta de água, os moradores denunciaram que para serem atendidos pelos caminhões-pipa da Sanepar, estavam pagando propinas aos motoristas.
Segundo o gerente de distribuição da Região Metropolitana da Sanepar, Celso Luiz Thomaz, nestes casos a falta de água foi específica em função da estiagem. No caso de Quatro Barras, o problema ainda persiste. O rio Capitanduva que abastece a Estação de Borda do Campo, que atende o município, chegou a ter vazão de apenas 11 litros por segundo, quando o necessário para atender a demanda da cidade são 30 litros por segundo. Mas o problema está com os dias contados, diz. É que a Sanepar providenciou dois poços artesianos capazes de suprir a falta de vazão do rio.
Serviços de melhorias e manutenção na rede e equipamentos também são causas comuns da falta de água. A Sanepar gasta cerca de R$ 1 milhão mensalmente nestes trabalhos. Esta situação é agravada porque cerca de 25% da população não possui caixas para amrmazenar água. Assim, sempre que há manutenção da rede estas pessoas ficam desabastecidas. (M.G.)





