Jandaia do Sul A população de Jandaia do Sul (18 km a oeste de Apucarana) está sofrendo as consequências da estiagem que se prolonga por mais de seis meses na região. A seca atingiu o rio Marumbizinho, que abastece de água o município, reduzindo em 40% a capacidade de captação. Como resultado, a Sanepar instituiu, há 15 dias, o racionamento. A cada 12 horas, metade da cidade fica sem água.
A escassez também reflete na saúde das pessoas. Jandaia do Sul enfrenta um surto de diarréia provavelmente resultante da utilização da água misturada ao lodo que estava depositado nos fundos dos reservatórios das residências. O prefeito Moacir Martins Bruzon (PHS) relatou que o atendimento de casos de diarréia cresceu mais de 200% nos últimos dias.
No Pronto Atendimento Municipal, o registro médio de quatro a cinco casos por semana aumentou para 20 doentes por dia. ''O problema é causado pela falta de limpeza das caixas d'água'', analisou ele, que prepara um pedido de auxílio à Secretaria Estadual de Saúde. ''Tivemos que improvisar leitos. O município está em estado crítico'', disse.
Mauro Guizelini, coordenador geral de clientes da Regional Apucarana da Sanepar, revelou que a empresa produz, em média, 3.780 metros cúbicos de água diários para atender o município. Com a seca, o volume foi reduzido para 2.310 metros cúbicos. O déficit, portanto, é de 1.470 metros cúbicos diários, ou 40% da necessidade. A estação, que trabalhava 18 horas por dia para dar conta da demanda, passou a funcionar por apenas 11 horas.
O problema é agravado pela geografia da cidade. Localizado na parte mais alta da região, o município enfrenta dificuldade para conseguir água em poços artesianos. Apenas a Sanepar perfurou quatro poços nos últimos anos. O melhor deles, segundo Guizelini, produz 260 metros cúbicos por dia. ''É muito pouco'', analisou o coordenador, acrescentando que uma equipe está trabalhando na perfuração de um poço profundo para atingir o Aquífero Guarani. ''Estamos pesquisando o melhor local. Depois disso, será preciso analisar se a qualidade da água é adequada'', disse.
Dois caminhões-pipa estão sendo utilizados para atender setores emergenciais como hospitais, escolas e creches. Cada um dos veículos chega a rodar 160 km por dia em busca de água em municípios da região, que também começam a enfrentar as consequências da estiagem. ''Estávamos pegando água em Cambira, mas a situação de lá está ficando crítica. Por isso, passaremos a buscar em Mandaguari'', disse o gerente geral da Sanepar na região, Antônio Mauro de Souza. Seis rios locais enfrentam baixos níveis de água. Apucarana, Cambira (19 km a oeste de Apucarana), São João do Ivaí (75 km ao sul de Apucarana) e Califórnia (19 km ao sul de Apucarana), por isso, estão em estado de alerta.
Funcionária de um trailer de lanches, Vaniele da Silva Cabral, 18 anos, enfrenta duplamente as consequências do racionamento. No trabalho, tem que armazenar água para viabilizar a confecção dos lanches. Em casa, toma banho frio com o líquido previamente guardado em baldes e bacias. ''Faz uma semana que não lavo roupas'', reclamou.
Alexandra Rodrigues, 28 anos, contou que, na casa dela, a faxina dos sábados foi inviabilizada pelo racionamento. ''O registro fecha às 9 horas da manhã e só volta a funcionar às seis da tarde'', comentou. Os três filhos, de seis a 12 anos, ficam sob vigilância constante da mãe. ''Peço para eles brincarem sem se sujar, porque nunca sei se vai ter água para o banho'', disse. Rosmari Chimentão Ramos, 40, sofre as consequências da estiagem através do filho de sete meses, que desenvolveu uma forte diarréia. ''A sorte é que ele mama no peito e não desidrata.''

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