Brasília O ex-senador Luiz Estevão disse ontem que o Grupo OK, de sua propriedade, apresentará hoje proposta ao Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo para participar da licitação para concluir a construção do Fórum Trabalhista, caso avalie que o preço base da obra, no valor de R$ 44 milhões, é ''compatível'' com o custo definido pela empresa para o término do prédio.
Mas ele já declarou que dados do edital de licitação serão ''matéria-prima'' para se defender da acusação de que comandou esquema de desvio de R$ 169,5 milhões da obra do Fórum Trabalhista. Garantiu ainda que sua empresa entrará na disputa para fazer várias obras públicas pelo País. ''Não devo nada, nem ao Ministério Público nem a ninguém.''
A notícia de que o Grupo Ok havia comprado edital de licitação para concluir a obra surpreendeu e irritou ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST), já que o eventual envolvimento da empresa de Luiz Estevão na construção do prédio só serviria para desmoralizar a instituição. O presidente do TST, Francisco Fausto, evitou fazer um prejulgamento, mas garantiu que, no processo de licitação, a legalidade e a moralidade serão preservadas.
''Nessa licitação serão analisados os aspectos legal e moral. Ela será feita com absoluta lisura e qualquer dado que comprometa a lisura do processo será imediatamente rejeitado'', afirmou Francisco Fausto.
Depois de ter seu mandato de senador cassado por suspeita de ligação no desvio de recursos da obra do Fórum, Estevão acumulou uma vitória na Justiça em relação ao caso. Em junho, a 1 Vara Federal Criminal de São Paulo o absolveu da acusação de formação de quadrilha, estelionato, corrupção passiva e ativa. Apenas o juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto foi condenado por participar do esquema de superfaturamento da obra.

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