Estelionatários usam PAI para obter doações
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segunda-feira, 04 de agosto de 2003
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Um é moreno, tem estatura mediana, cabelos grisalhos, aparenta 45 anos. O outro, da mesma faixa etária, é um pouco mais alto, de barba e cavanhaque. Ambos com boa aparência, bem vestidos, com facilidade de comunicação.
Estes dois homens estão aplicando, juntos ou separados, um golpe em moradores de bairros da área central e da zona leste. Eles se dizem pai de uma criança internada em estado grave no Pronto Atendimento Infantil (PAI) com câncer nos olhos e que precisa de recursos para uma transferência para a capital paulista. A dupla estabelece o valor do donativo em R$ 10,00.
O PAI, localizado no centro, realiza apenas atendimento ambulatorial. O paciente fica, no máximo, 12 horas em observação. Em caso de necessidade de internamento, é feita a transferência para um hospital.
De acordo com testemunhas, a dupla de golpistas já foi vista na Vila Recreio, Vila Nova (área central), no Jardim Califórnia e no Aeroporto (zona leste). A princípio, começaram usando como subterfúgio a venda de uma cartela de um bingo. Moradoras da rua São Vicente desconfiaram e foram consultar o PAI. ''A partir daí, recebemos outras denúncias com as mesmas características'', conta a ouvidora do PAI, Rosângela Campiolo.
A dupla passou, então, a pedir diretamente de porta em porta. Para dar mais verossimilhança ao golpe, usavam crachás com o logotipo do PAI. Segundo a atendente de enfermagem aposentada Maria Helena Reali, 63 anos uma das ''quase-vítimas'' a dupla esteve no portão de sua casa recentemente.
''Eram muito gentis e educados, mas se recusaram a virar o crachá e deram algumas informações erradas sobre a área de saúde, que eu conheço muito bem. Pelo sotaque, pareciam da região'', disse a aposentada. Depois que se recusou a doar o dinheiro, ela entrou em contato com o PAI.
Semana passada, a Polícia Militar (PM) abordou dois suspeitos no Aeroporto. Eles disseram que estavam a serviço de um certo Projeto de Apoio Integral. Sem o flagrante, eles foram liberados.
Além da descrição física de ambos, a polícia tem poucas pistas. Uma delas é a identificação das placas de um dos dois carros que foram vistos próximos dos estelionatários: um Gol branco AHC 4595 (não se tem informação sobre o município). O outro carro usado pela dupla seria um Chevette marrom.


