Estelionatários dão golpe com ofertas 'tentadoras'
Rubens Burigo Neto
Especial para a Folha
Anúncios classificados com ofertas tentadoras de empregos e venda de carros de luxo, jet skys e equipamentos de informática, publicados em jornais de Curitiba e de São Paulo, estão preocupando o delegado adjunto Gerson Alves Machado, da Delegacia de Estelionatos de Curitiba.
Machado diz que a Polícia Civil está investigando casos do chamado golpe do chute no interior do Estado. Os estelionatários, explica o delegado, anunciam a venda de produtos por preços bem abaixo dos praticados no mercado. Os interessados ligam para um telefone em Belém (PA); recebem a informação de que as mercadorias teriam sido apreendidas pela Receita Federal e isso justificaria o preço tão em conta. Acertado o negócio, são informados que devem pegar a mercadoria em Londrina ou Maringá, no Norte do Paraná. Na maioria dos casos as pessoas acabam sendo assaltadas por integrantes das quadrilhas responsáveis pela entrega dos produtos nessas cidades.
Em Curitiba, vêm aumentando o registro de queixas feitas por pessoas que foram enganadas na compra de carros de luxo. Machado conta que os anúncios são publicados em jornais da capital paulista com circulação nacional. Os golpistas sempre oferecem carros grandes, de luxo, baratos e que ainda podem ser pagos em poucas parcelas. Segundo o delegado, os interessados fazem o primeiro pagamento através de depósito bancário, e não conseguem mais nenhum contato com quem vendeu o automóvel.
Ontem a dona de casa Zilda Azevedo Filla foi indiciada pelo crime de tentativa de estelionato. Ela publicou anúncios num jornal de Curitiba, oferecendo emprego para cozinheira internacional. Mara Mary de Oliveira, que registrou queixa contra Zilda, contou que ligou para o telefone do anúncio (383-1913, da casa de Zilda), recebeu um código de número 704 e foi orientada a depositar R$ 10,00 numa conta bancária.
Mary de Oliveira disse que voltou a procurar uma resposta de Zilda por diversas vezes, mas o número do telefone havia mudado. Segundo Machado, há indícios de que mais pessoas possam ter sido lesadas. Hoje, o marido de Zilda deve depor na Delegacia de Estelionato. Ela vai responder o inquérito em liberdade.





