Márcia (nome fictício), 33 anos, passou por três gestações e deu à luz três crianças. Ex-moradora de rua em Londrina, com histórico de uso de drogas e prostituição, ela é mãe de verdade apenas da filha mais nova, de um ano. Os outros dois foram retirados e encaminhados para adoção por causa do vício materno. ''Fiquei com meu primeiro filho até os dois anos e com a segunda filha até mais ou menos essa idade. Mas aí voltei para as drogas e eles foram levados para a adoção.''
Tentando novamente mudar de vida, Márcia encontra-se abrigada com a menina mais nova. Empregada em uma firma e responsável por todos os cuidados com a garota, ela acredita estar mais madura para enfrentar o risco de recaídas. ''Das outras vezes, voltei a me drogar na hora em que as coisas não davam certo'', disse ela, que não sentiu nada no momento em que retiraram-lhe os filhos. ''Estava chapada e não liguei. Depois veio o arrependimento, mas era tarde'', disse.
Mãe que negligenciou os filhos por causa do vício, Márcia tem uma história pessoal marcada pelo abandono. Aos 9 anos, perdeu a mãe e fugiu de casa por não ser aceita pela nova mulher do pai. ''Ele preferiu ficar com ela'', lamentou.
Moradora de um abrigo até os 12 anos, envolveu-se com más companhias e fugiu. Adolescente, começou a cheirar cola e tinner pelas ruas, abrindo caminho para o crack e a prostituição que permitia a aquisição de novas drogas.
Dos pais das crianças, não tem notícias, apesar de terem sido considerados namorados. Sem ter certeza sobre o futuro, ela tenta diariamente sobreviver à vontade de usar drogas e sonha em ter uma casa própria para criar a filha, que felizmente nasceu sem sequelas. ''Foi uma sorte, porque me droguei até o último dia de gravidez.'' (C.A)

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