Estatuto incluirá áreas públicas
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quinta-feira, 12 de julho de 2001
Luciana PomboDe Curitiba 
Apesar de não estarem contempladas no Estatuto das Cidades, o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi pretende incluir as áreas públicas no pacote de regularização, principalmente as áreas remanescentes de loteamentos. As áreas serão transferidas para o Fundo de Habitação Popular da Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab) e deixarão de ser públicas. Foi a alternativa que encontramos para melhorar as condições de vida de famílias que estão há mais de cinco anos nas áreas públicas, declarou o prefeito.
Atualmente, metade das 262 áreas de invasões de Curitiba, onde vivem cerca de 200 mil pessoas, está em áreas particulares e em mais de 60% dos casos com ocupações que já duram mais de cinco anos. Estas áreas poderão ser incluídas em ações judiciais para requisição do usucapião coletivo novo instrumento definido por uma determinação do governo federal após a assinatura do Estatuto das Cidades. O estatuto já foi sancionado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, mas entra em vigor em 90 dias.
As áreas só poderão ser regularizadas judicialmente, com criação de infra-estrutura básica, se os proprietários não reclamaram seus direitos na Justiça pela terra invadida. Nas outras 40% das áreas com menos de cinco anos de invasão, a prefeitura poderá tentar acordos com os proprietários para a disponibilização de outras áreas ou fazer a relocação das famílias. Não será algo fácil, mas teremos que trabalhar com as famílias no sentido de respeitar o estatuto e facilitar a remoção em áreas privadas com reclame judicial ou em áreas de preservação ambiental, destacou o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL).
O Estatuto das Cidades prevê ainda que os proprietários de terrenos baldios que atualmente pagam 3% de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) passem a pagar mais caso não seja dada uma destinação para o lote. O imposto poderá chegar até a 15% em áreas ociosas. As novas alíquotas deverão fazer parte da reforma tributária anunciada no primeiro semestre por Taniguchi e que deverá ser encaminhada nos próximos meses para a Câmara Municipal.
A obrigatoriedade da realização do orçamento participativo também faz parte do Estatuto das Cidades. É um avanço, mas já estamos aplicando isto, disse o prefeito.


