O vazamento de óleo cru da Repar deverá custar ao menos R$ 100 milhões à Petrobras. Este é o valor mínimo da multa que o governo federal poderá aplicar à empresa, o dobro da penalidade financeira imposta à estatal por causa de vazamento de óleo na Baía da Guanabara, em janeiro deste ano. ‘‘A multa vai depender dos resultados de laudo técnico, mas pode ser o dobro do aplicado no caso do Rio de Janeiro’’, afirmou o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho. Técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) já trabalham no levantamento dos prejuízos.
Após visita à Curitiba, o ministro voltou à capital federal e discutiu o assunto ontem com o presidente em exercício, Marco Maciel, e com o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente. Segundo ele, a Petrobras tem a obrigação legal de recuperar a área prejudicada e indenizar eventuais prejuízos impostos a terceiros. Sarney Filho descartou o argumento da fatalidade, eximiu seu ministério de qualquer responsabilidade e qualificou o acidente como resultado direto da displicência da companhia. ‘‘Não se pode evitar uma fatalidade, mas isso é resultado da negligência da Petrobras’’, sentenciou.
Estranhamente, depois de todo o discurso contra a ‘‘negligência’’ da Petrobras, Sarney Filho isentou o presidente da estatal, Henry Philippe Reichstul, de responsabilidades. De acordo com o canal de notícias a cabo Globonews, o ministro passou esta informação ao presidente em exercício Marco Maciel que acompanha de seu gabinete, em Brasília, os trabalhos de combate à mancha. ‘‘Não é culpa da atual administração’’, esquivou-se, num ataque velado ao ex-presidente da estatal Joel Rennó. ‘‘O Reichstul está colhendo o que não foi plantado por ele’’.

mockup