Curitiba - A comercialização dos cartões do EstaR (estacionamento regulamentado pela Prefeitura de Curitiba) vai mudar. A Urbanização de Curitiba S/A (Urbs) - empresa que controla o transporte coletivo na Capital - pretende colocar os talões à venda apenas em locais credenciados e não mais nas mãos dos agentes de trânsito que circulam pelas áreas regulamentadas.
Até o momento, 23 pontos do comércio estão vendendo o EstaR pelo preço de tabela, que é de R$ 1,00 o cartão. A intenção, segundo a diretora de Trânsito de Curitiba, Rosângela Battistella, é que existam postos de venda em todas as quadras onde há EstaR. Hoje, existem 8,2 mil vagas regulamentadas no Centro e nos bairros Portão, Batel e Bigorrilho. A Urbs pretende ampliar esse número para cerca de 15 mil.
O principal fator que motivou essa mudança, segundo Rosângela, foi a dificuldade dos motoristas em encontrar os agentes, que nem sempre estão por perto. A questão da segurança e da saúde dos servidores também pesou na decisão, segundo o diretor-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Urbanismo do Paraná (Sindiurbano), Valdir Mestriner. Ele conta que essa é uma reivindicação antiga da categoria, não só pelo risco de assalto envolvido, mas pelos problemas de saúde ocasionados pelo peso extra dos talões para a venda, que, segundo o dirigente, chega a três quilos. Ele argumenta ainda que a maior parte das agressões praticadas contra os agentes de trânsito ocorre quando o motorista não encontra um profissional para comprar os cartões.
A ausência desses agentes e a falta de número suficiente de postos de venda credenciados cria uma lacuna nesse comércio, que é preenchida por guardadores de carro informais, que acabam acrescentando ágio no valor dos cartões. É o caso de Sebastião Pereira, que comercializa cartões de EstaR nas proximidades da Praça Osório, no centro de Curitiba, por R$ 2,00 cada folha, o dobro do valor estipulado pela Urbs. Há mais de 20 anos trabalhando nessa atividade, ele conta que chega a vender até seis blocos, com dez cartões cada, em um dia de bom movimento. Ele compra os talões de uma revendedora autorizada por R$ 9,70 cada. Segundo uma funcionária desse local, Marisa Molinari, os guardadores de carro são os principais clientes do estabelecimento, que costuma comercializar até 200 bloquinhos por dia.
De acordo com Rosângela Battistella, da Diretran, a atuação desses revendedores não é proibida por lei. Na sua opinião, trata-se mais de uma questão de segurança pública, já que muitas vezes os motoristas sentem-se coagidos a comprar os cartões desses atravessadores. Ela recomenda à população que não compre dos guardadores. Apesar de a Urbs não ter uma posição definida sobre essa atividade, ela enfatiza que os cartões devem ser vendidos pelo preço estipulado pela empresa, ou seja, R$ 1,00.
A mudança na venda dos cartões de EstaR não agradou o vendedor Alberto Corsatto, que acredita que o serviço vai piorar. Acostumado a comprar os blocos com os agentes de trânsito, ele diz que daqui para a frente passará a carregar um bloco de emergência para não ficar à mercê dos ''flanelinhas'', até porque não conhece a localização de nenhum ponto de venda autorizado.

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