Estamos muito felizes, eles são amorosos e alegres
Curitiba - Depois de quase dois meses de espera, dois casais italianos voltaram para casa com a família completa. Cada um deles adotou dois filhos brasileiros, com idades entre 6 e 11 anos.
''Estamos muito felizes porque os meninos são alegres, simpáticos e afetuosos. Sentimos que eles também estão felizes'', conta um dos pais, que escolheu o Brasil por achar que a cultura é parecida com a de seu país de origem e devido à organização que fez a articulação para a adoção. ''A vida muda muito, é o que nós procurávamos e desejávamos'', conta o outro casal que há quatro anos queria adotar uma criança.
Assim como os pais, as quatro crianças estão felizes e ansiosas para chegar à nova casa. ''Eu aprendi um pouco de italiano, mas já ensinei ao meu pai como falar em português'', diz o menino. Em relação à família que os espera na Itália, eles já sabem quem vão encontrar. ''Tem a 'nona', a tia e os primos'', conta. Geralmente, os pais estrangeiros que adotam crianças e adolescentes brasileiros têm idades acima dos 35 anos, são casados há algum tempo e não conseguiram ter filhos biológicos.
A adoção internacional é a última alternativa para a adoção de uma criança ou adolescente. A preferência é que continuem em seus países de origem. Se não houver chance de adoção por famílias brasileiras, a oportunidade segue para estrangeiros com visto permanente no Brasil, brasileiros que moram no exterior e, por último, famílias de outros países. Esta determinação já era determinada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e também será regulamentada pela Lei Nacional da Adoção, que foi aprovada nesta semana pela Câmara dos Deputados.
Outra determinação é manter os grupos de irmãos unidos. ''As crianças menores só são adotadas se fizerem parte de um grupo de irmãos'', explica a coordenadora do Ceja, Jane Pereira Prestes. Em alguns casos, os irmãos são dividos por casais que moram na mesma cidade, para que o contato entre eles continue.
Os países que mais adotam crianças e adolescentes paranaenses são a Itália e os Estados Unidos. O contato com as famílias ocorre por intermédio de organizações credenciadas junto à Vara da Infância e Juventude.
No Paraná, 10 instituições fazem essa articulação e, em todo o Brasil, são 31. Uma delas é a Rete Speranza, da Itália, que entre 2002 e 2005 realizou a adoção de 112 crianças paranaenses por famílias italianas.
Alex Sandro Nunes de Almeida, da Rete Speranza no Paraná, defende as adoções internacionais. ''Às vezes as pessoas olham com tanto preconceito para a adoção internacional e não olham para a parte da criança num lar. Um instituto é um lar temporário, mas não deve ser uma coisa definitiva na vida da criança.''(C.G.B.)





