Ainda sob impacto do trauma, o pai da empresária vítima de sequestro em Londrina falou ontem com a FOLHA e confessou que a família está em processo de recuperação. ''Estamos começando a catar os cacos'', afirmou em tom de desabafo. O comerciante comentou que a filha de 34 anos parece que ''ainda não pisou no chão''. Ela foi levada no dia 8 por três homens armados comandados pelo preso ligado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Jeferson Elifas da Silva Sanches, 28 anos, e foi libertada na tarde de segunda-feira, sem o pagamento de resgate.
O pai contou que desde o primeiro contato, na noite de quarta-feira, os sequestradores tentavam intimidar com ameaças. ''Era uma pessoa muito rude e fazia todo tipo de ameaça. A gente fica numa situação bastante humilhante. Você se sente a menor formiguinha da face da terra, sem um único pedacinho de pau para se escorar'', comparou. O tom ameaçador aumentava na medida em que os dias passavam. ''Comecei a ficar com muito medo porque ele falava muito em matar, em dar tiro. No domingo de manhã, o bandido me ligou nervoso dizendo que eu tinha avisado a polícia. Falei desesperado que era mentira e ele desligou. Me parece que eles receberam a ordem do chefe deles para arrumar uma faca bem afiada, cortar um dedo (da filha) e mandar para mim'', recordou.
O pai revelou que a filha não foi muito maltratada no cativeiro. ''Ela passou fome e sede mas não sofreu nenhuma agressão. Permaneceu em mata fechada e a maioria do tempo com os olhos vendados'', detalhou. Depois de passar cinco dias como refém, o comerciante disse que parece que ela ainda não voltou à realidade. ''Até agora eu desconfio que ela não pisou no chão. Ela está eufórica, alegre. Conversei com um psicólogo e ele me explicou que os próximos dias serão fundamentais''.
Segundo o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Sérgio Luiz Barroso, a vítima teria passado por pelo menos quatro acampamentos diferentes em uma área de mata fechada na Zona Sul de Londrina. Com informações obtidas por meio de escutas telefônicas, os policiais chegaram até bem perto dos cativeiros. A soltura só começou a ser negociada na noite de domingo, quando se descobriu que o mentor do crime era o presidiário Jeferson Elifas da Silva Sanches, que cumpria pena por roubo na Penitenciária de Assis. Na madrugada de segunda-feira ele foi trazido para Londrina e às 15h40 ele deu a ordem para que os ''seguranças'' do cativeiro libertassem a empresária, sem o pagamento do resgate.
Sanches é apontado como o preso mais perigoso de Assis e tido como um dos líderes atuais do PCC. Ele já havia comandado um outro sequestro na região, em janeiro deste ano. Além dele, foram presas duas mulheres, suspeitas de colaborar no crime mas uma delas já foi solta por falta de provas. Outras cinco pessoas continuam sendo procuradas.

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