Curitiba - "Muitas vezes a gente fica indignado com um assassinato, com um crime. Mas, na nossa vida cotidiana, há outras situações. A gente vê a violência contra a mulher, mas não enxerga." A frase da secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Aparecida Gonçalves, põe em foco a urgência com que a questão deve ser tratada no País.
Para ela, a violência urbana, especialmente aquela praticada contra a mulher, presente todos os dias nos noticiários, é consequência de décadas de silêncio dentro de casa. Na tentativa de combater o problema, Aparecida pede que o Estado e a sociedade se unam e discutam a situação. Ela participou ontem em Curitiba de um seminário de lideranças das áreas de segurança pública, Justiça, saúde e assistência social para tratar do tema.
"Quantas de nós não conhecem alguém que é ou já foi vítima de violência doméstica, de violência sexual? Estamos diante da violência todos os dias e não a percebemos. Só vamos tomar uma atitude quando começarmos a enxergar", ressaltou. "Que atitudes nós podemos oferecer quando uma criança, desde a infância, vê seu pai colocando um revólver ou uma faca no pescoço da mãe? Vê ele jogando água quente na esposa, espancando a companheira? Que adulto irá se tornar esse jovem?", questionou.

Crimes
De acordo com o Mapa da Violência 2012, elaborado pelo Instituto Sangari e pelo Ministério da Justiça, o Paraná ocupa o terceiro lugar no ranking de assassinatos contra mulheres, atrás do Espírito Santo e de Alagoas. O Estado registrou em 2010 um índice de 6,3 mortes para cada grupo de 100 mil mulheres. Foram 338 homicídios, quase um por dia. A média nacional, sétima mais alta do mundo, é de 4,4.
Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, é o segundo mais violento do Brasil, com taxa de 24,4 homicídios. Araucária, com 13,4, e Fazenda Rio Grande, com 12,2, também na RMC, são outros que figuram na lista.

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