A promotora conhece bem a maioria dos adolescentes. São todos reincidentes. Edina de Paula não acredita que a redução da idade de responsabilidade penal de 18 para 16 anos resolva o problema. ''Eles sabem a diferença entre certo e errado mas não têm maturidade e controle emocional necessário para fazer as escolhas corretas'', explica.
Uma proposta alternativa está sendo discutida no Congresso Nacional, que é de aumentar o prazo máximo de internamento de três para seis anos. Somando aos outros três anos de regime semi-aberto, um adolescente infrator poderia ser condenado até nove anos de pena. Edina faz contas: ''O crime mais grave prevê pena máxima de 30 anos para maiores de idade no Brasil. Ninguém fica esse tempo preso. O assassino da Daniela Perez saiu depois de nove anos. Porque as pessoas querem penas tão rigorosas para os adolescentes?'', indaga.
Manter os adolescentes infratores no Ciaadi não é barato. O governo do Estado gasta, em média, R$ 2 mil por mês com cada um. Uma ironia quando se constata que todos são de famílias muito pobres. ''Se eu pudesse, eu investiria esse dinheiro na família deles. O grande problema deles é o abandono e a desestrutura da família'', opina a promotora. ''Nós estamos criando monstros. A sociedade precisa pensar no que vai fazer com esses garotos quando eles saírem daqui'', cobra Edina.
Isso vale para os que conseguirem sobreviver. Muitos estão jurados de morte. Desde o ano passado 64 dos adolescentes que passaram pelo Ciaadi foram assassinados nas ruas da cidade.

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