Estagiários fazem greve por salários
Os estagiários da Biblioteca Pública do Paraná conseguiram, com um dia e meio de protesto e greve, fazer o que o governo do Estado não conseguiu em cinco meses. Ontem, por volta das 16 horas, a direção da biblioteca obteve na Casa Civil a liberação para recontratar cerca de 80 estagiários, o que permitirá o pagamento dos salários atrasados desde janeiro, fato que motivou a greve. A solução foi impulsionada pela paralização, que começou no sábado de manhã e manteve a Biblioteca Pública praticamente fechada. Somente quatro setores - devolução de livros, documentos do Paraná e as seções infantil e multimeios - permaneceram abertos.
Segundo a diretora da biblioteca, Marilene Zicarelli Milarch, o pagamento dos salários, cerca de R$ 15 mil mensais, não foi efetuado unicamente pela falta da recontratação. Os contratos têm duração de um ano. Marilene, porém, se isenta de culpa. Ela afirma ter encaminhado o pedido de recontratação em outubro do ano passado, mas até ontem ele não teria sido apreciado pelo Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal do Estado (Crafe). O deslize fez com que, mesmo tendo dinheiro, a direção da biblioteca ficasse impedida de pagar os salários, causando sérios problemas para os estagiários. É kafkaniano, disse Marilene. Não faz sentido.
Sem dinheiro há dois meses, os estagiários vendiam os vales-transporte para sobreviver. É o caso da estudante paulista Cassia Virginea Ribeiro, 22 anos, que vive longe da família. Estudante do 3º ano do curso de artes visuais, na Universidade Tuiuti do Paraná, Cassia não paga a mensalidade, de R$ 240,00, nem o aluguel, R$ 150,00, desde janeiro. Vai e volta a pé de casa para o trabalho e para a faculdade. Alimenta-se com a venda dos vales e como pode.
Numa reunião, às 15 horas, com a direção da biblioteca, os estagiários haviam definido que não voltavam ao trabalho sem uma definição do caso. Não precisaram esperar. Minutos depois da reunião, a direção da biblioteca era chamada ao Palácio do Iguaçu. Às 18 horas, tudo estava resolvido.Mauro FrassonOs estagiários fizeram o protesto em frente ao prédio da Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba. Sem dinheiro, Cassia Ribeiro (abaixo) vendia os vales-transporte que recebiaJames Alberti





