Paulo Henrique Faria
De Londrina
Especial para a Folha
O único programa da região que promove a reintegração do ex-detento pode estar com seus dias contados. Os 28 estagiários que mantém em funcionamento o Programa Estadual de Assistência ao Egresso e ao Apenado (Pró-Egresso) de Londrina ameaçam suspender o atendimento no dia 30. O aviso foi dado ontem pelos próprios estagiários que solicitaram a presença da Folha de Londrina/Folha do Paraná para expor a situação da entidade.
Segundo os estagiários, desde janeiro a Secretaria Estadual de Justiça não repassa verbas para a manutenção do programa. ‘‘A gente quer chamar a atenção para a importância do programa que não pode parar’’, explica Augusto Yuzo Jouti, 21 anos, estudante de direito. ‘‘Mas problemas é o que mais temos’’, reclama.
A estagiária Marina Bottura Machado, 23 anos, estudante de psicologia, explica que a renovação do contrato (convênio entre a Universidade Estadual de Londrina e a Secretaria Estadual de Justiça), que deveria ter sido feita em janeiro só aconteceu no dia 19 de julho, e que a coordenadora do programa pediu afastamento em junho e só foi substituída agora, dia 14 de setembro. ‘‘Além disso ficamos um bom tempo sem um supervisor jurídico, indispensável para o programa e, finalmente, desde que começamos como estagiários não vimos o dinheiro das nossas bolsas’’, diz. ‘‘Se até o dia 30 não sair o dinheiro das bolsas (R$ 140,00 cada) nós vamos ter que parar’’, afirma Ana Lúcia Conde, 22 anos, outra estagiária do programa.
Apesar de tantas dificuldades, os números apontam os bons resultados do Pró-Egresso de Londrina. A reincidência ao crime entre os apenados que passam pelo programa é de 4%, enquanto em outros Estados apresentam índices de até 80% para presos que cumprem suas penas em regime fechado. Entre os beneficiados pelo programa estão outros 15 municípios do norte do Estado, representando um total de 160 pessoas atendidas por mês, cujas penas são inferiores a um ano. Também são atendidos alguns infratores que cumprem pena em regime semi-aberto.
‘‘O interessante do programa é que nós passamos para o apenado que não é só ele que enfrenta problemas como o desemprego e preconceito, mas que a má situação é geral’’, afirma Marina Machado. Ela adverte: ‘‘É por isso que queremos mobilizar a sociedade, caso contrário a violência nas ruas de Londrina pode aumentar em grande escala em pouco tempo.’’

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