Estados querem mudar tipo de financiamento
Érika Pelegrino
De Londrina
Márcia Huçulak, diretora de Serviços de Saúde, da Secretaria Estadual de Saúde, reconhece que a tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) está defasada quanto a alguns procedimentos a maioria de urgência e emergência , mas afirma que apenas o reajuste não irá solucionar o problema. Recentemente foram reajustados 1.753 dos 4.500 procedimentos do SUS. Daqui a seis meses a tabela estará defasada novamente, diz.
Segundo ela, é preciso mudar o modelo de financiamento hoje baseado no antigo Inamps que paga por procedimentos. Márcia Huçulak afirma que o ideal é uma lógica de financiamento que pague por pacotes de atendimento.
O que um usuário que quebra uma perna, por exemplo, quer? questiona. Ele quer ser atendido, tirar radiografia, colocar pino, engessar, ter todos os atendimentos necessários. Se sentir dor à noite, voltar ao hospital, ser atendido pelo mesmo médico, assim como na reconsulta. O usuário quer um atendimento integral e digno, afirma.
O fim do pagamento por procedimentos terminaria, segundo ela, com o drama do usuário que engessa uma perna, depois enfrenta filas para uma outra consulta, e ainda é atendido por outro médico que desconhece seu histórico. Tem casos de o paciente engessar a perna e depois não conseguir quem tire o gesso, porque este procedimento não foi pago, exemplifica.
Esta lógica de financiamento, de acordo com Márcia Huçulak, é a de proteção à vida e não a de procedimentos. A necessidade de modificar a forma de financiamento vem sendo discutida, segundo ela, entre os gestores do SUS Estados e municípios junto ao Ministério de Saúde. Não tem um Fórum do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde em que não se discuta este tema, comenta.
A diretora de Serviços de Saúde ressalta que este princípio de financiamento já é adotado em vários países. Na Inglaterra, por exemplo, o cidadão tem a cobertura universal de saúde. Todo atendimento que o usuário precisa ele tem. Mas a Inglaterra investe U$ 1,2 mil mensais por habitante, o Brasil investe R$ 120,00, afirma.
Apesar de a verba investida em Saúde no Brasil ser muito inferior, Márcia Huçulak diz que é preciso alocar o dinheiro que temos de forma que o sistema seja mais eficiente, porque a fonte de arrecadação junto à população está esgotada. O povo não suporta mais um imposto.
O Estado do Paraná, de acordo com ela, está investindo 6.41% de seu orçamento em saúde, o que significa, mais ou menos, R$ 19,00 por habitante. Apesar dos problemas do SUS, Márcia Huçulak diz que há anos a situação de credenciamento de hospitais se mantém estável.
Temos 529 hospitais credenciados, destes apenas 80 têm como porta de entrada o pronto-socorro, afirma. Nenhum destes hospitais descredenciou o serviço de pronto-socorro, o que acontece que para este tipo de atendimento são necessários infra-estrutura e recursos humanos, que poucos hospitais têm.
Ela afirma que o fechamento do PS do Hospital Evangélico de Londrina não está relacionado, exclusivamente à tabela do SUS. Há anos o HE vem investindo em uma clientela diferenciada particular e de planos de saúde e agora que abocanhou este mercado decidiu ficar com ele. É um direito do hospital, comenta.





