Estados esperam pesquisa feita no PR
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de novembro de 1996
Elisa Carneiro 
O Paraná é o único Estado que vem realizando pesquisas na área de reciclagem do lodo de esgoto. O restante do País espera o Estado encontrar a solução mais viável economica e ecologicamente para a destinação final deste material, e depois utilizá-la. Um dos maiores problemas mundiais na área de meio ambiente, o lodo tratado poderá ser usado como complemento na adubação do solo aumentando a produtividade em até 50%.
Quinze instituições do Estado, entre elas a Universidade Federal do Paraná e a Sanepar, envolvendo cerca de 130 pesquisadores, desenvolvem uma pesquisa em cooperação técnica interdisciplinar com a França, Estados Unidos e Áustria. O professor Werner Biffl, da Universidade de Viena, está em Curitiba apresentando as formas mais recentes de pesquisas na área.
O que mais preocupa os pesquisadores em todo o mundo é a concentração de metais pesados no lodo de esgoto. Todo o material colorido, os plásticos e as embalagens contêm algum tipo de metal pesado, que é altamente poluidor e, quando ingerido, se acumula no organismo. Mas para resolver o problema é preciso que se estude as características socio-econômicas de cada região, adverte o professor austríaco.
Em primeiro lugar é essencial que o esgoto industrial, com alta concentração de metais pesados, seja tratado separadamente do doméstico. Só Curitiba produz 12 toneladas por dia de biomassa, ou lodo com grande quantidade de metais pesados. Este material vem sendo tratado na forma conhecida como land-farming ou biodegradação, esclarece o professor Francisco Carvalho, do departamento de Solos da UFPR.
Projeto piloto Em todo o Estado, o esgoto industrial é coletado e tratado separadamente do esgoto doméstico e isso possibilita a desinfecção usando uma das duas alternativas mais viáveis: a calagem e a compostagem. A pesquisa para a reciclagem do lodo para utilização industrial está em andamento há cinco anos e o projeto piloto está tratando 1,5 mil toneladas de lodo pelo processo de compostagem, a ser usado em lavouras. Os produtores são orientados pelos técnicos da Emater.
Em comparação com a adubação química a produtividade média, usando a complementação do lodo, aumenta em 50%. Até o segundo semestre de 1997 deveremos ter a solução técnica definitiva para o uso do lodo de esgoto na agricultura, adianta o professor Cléverson Andreoli, coordenador do projeto de pesquisa de reciclagem agrícola.


