Israel Reinstein
O presidente da Superintendência dos Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), Nicolau Kluppel, acredita que o juiz federal José Sabino da Silveira, de Paranaguá, foi mal informado ao decidir pela interrupção de obras da instituição no Litoral. Ontem, Kluppel afirmou que o juiz elaborou seu despacho baseado apenas na versão dos ambientalistas e, por isso, o Estado deve recorrer. José da Silveira concedeu anteontem liminar suspendendo as obras de macrodrenagem de canais que estavam sendo realizadas entreMatinhos e Pontal do Paraná.
Kluppel considera que interrupção das obras do canal vai provocar enchentes na região. ‘‘A medida dos ambientalistas vai retardar o desenvolvimento do Litoral’’, afirmou, acrescentando que a dragagem integra o trabalho de saneamento básico. Dos 150 quilômetros de canais, a Suderhsa já tinha dragado 130 quilômetros.
O diretor do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Mário Sérgio Rasera, considerou um exagero as denúncias do Fórum Pró Conservação da Natureza. De acordo com ele, os efeitos das obras não são danosos, como estariam pregando os ambientalistas. Apesar do próprio diretor não saber precisar quais seriam os efeitos, sem antes realizar um plano de monitoramento ambiental, conforme foi solicitado pela Justiça.
Na opinião de Nicolau Kluppel, as consequências negativas na fauna e flora já ocorreram na década de 60, quando o governo federal criou os canais. ‘‘A única intervenção foi o corte de árvores em um dos lados do leito do canal’’, disse. No entanto, o presidente da Suderhsa confirmou que em um dos trechos do canal houve erro nas obras. Na região do Rio das Onças, em plena Mata Atlântica, o maquinário destruiu parcialmente a vegetação. ‘‘O local vai ser recuperado’’, assegurou. Caso não refloreste a região, a Suderhsa e o IAP terão que pagar multa diária de R$ 2,5 mil.

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