Estado trata indivíduos como crianças
Londrina - Ao punir o motorista apenas porque ele consumiu qualquer quantidade de álcool, mesmo que não tenha cometido qualquer outra infração que não esta, o Estado estaria punindo não a ação, não um dano concreto a outro indivíduo, mas sim uma substância que está dentro do corpo, sugere Aguinaldo Pavão, professor de Filosofia da UEL. Ao invés disso, a lei deveria punir a ação e considerar agravante o fato de a pessoa ter bebido, afirma. Vale lembrar que a Lei Seca fez o contrário: ela revogou a cláusula que aumentava em um terço à metade a pena para homicídio culposo no trânsito (detenção de 2 a 4 anos) se o condutor estivesse sob efeito de álcool.
Na avaliação de Pavão, os resultados positivos da lei não podem justificar a injustiça em seu fundamento. Essa Lei Seca não respeita a liberdade dos indivíduos. Por esse raciocínio, é possível concluir que era mais coerente que se proibisse a venda de bebidas alcoólicas, analisa. O grande apelo popular desta lei também não justifica, para o filósofo, a imposição de limites arbitrários à liberdade. Se fosse assim, resolveríamos tudo por plebiscito, comenta.
Para o professor, a pessoa deveria ter também o direito de prejudicar a própria saúde como quiser. As leis sobre tabagismo e álcool são colocadas como se os indivíduos não soubessem buscar os fins que desejam. O Estado trata os indivíduos como crianças, diz que ele não pode fumar, e se for deve ser apenas em determinados lugares, opina.
E, por trás de um Estado que trata os indivíduos como crianças, há, na avaliação de Pavão, a mentalidade errônea das pessoas, de que o Estado deve exercer a tutela e sabe melhor o que é bom para cada um. As pessoas consideram que o Estado deve ter o papel de pai. Não dão importância à liberdade dos indivíduos, lamenta, acrescentando que o Brasil tem caminhado para uma redução cada vez maior da liberdade das pessoas.
Reduz-se aquilo que é o bem mais precioso de qualquer indivíduo. Você é dono do seu próprio destino se faz o que acha que é certo para a sua vida, salienta o professor, lembrando que o único limite à liberdade deve ser a liberdade de outro indivíduo. O que caracteriza a dignidade moral é o fato de sermos livres. O Estado não respeita nossa dignidade moral. Quanto mais cresce a ingerência ilegítima do Estado em nossas vidas, em certo sentido, nos desumanizamos, ressalta. (A.I.)





