Estado tenta manter hospital no SUS
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sexta-feira, 04 de abril de 1997
Valmir Denardin Sucursal de Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaBarganhaRaggio assina convênio em Foz; direção da Santa Casa alega que verba do Estado já foi comprometida O governo estadual iniciou uma ofensiva para pressionar a Santa Casa de Foz do Iguaçu a voltar atrás na decisão de romper o convênio para o atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). O anúncio foi feito na última terça-feira e o desligamento deverá ocorrer em 60 dias.
Em visita à cidade, ontem, o secretário estadual da Saúde, Armando Raggio, anunciou que sua pasta tem uma verba de R$ 170 mil destinada ao hospital. Ressalvou, no entanto, que o dinheiro só será liberado se a direção da Santa Casa continuar atendendo pelo sistema.
Apesar de negar que esteja pressionando a direção do hospital, o secretário afirmou: Só repassaremos (o dinheiro) diante de uma negociação que garanta o não-desligamento do SUS. Não podemos repassar verba pública para um hospital que está deixando de atender o sistema público.
O superintendente da Santa Casa, Décio Zenone, disse que o secretário está querendo fazer barganha com uma verba que já foi gasta e que deveria ter sido repassada pelo Estado em 30 de dezembro passado.
Segundo ele, a verba prometida por Raggio já foi empregada pelo hospital na reforma de duas das seis salas cirúrgicas do hospital. Ele não pode atrelar esse dinheiro ao convênio com o SUS, declarou o superintendente. Nossos diretores colocaram dinheiro do bolso para pagar essas despesas.
Apesar da polêmica, Raggio e Zenone se dizem dispostos a negociar uma solução para impedir a suspensão do convênio, o que poderia agravar ainda mais o sistema público de saúde de Foz do Iguaçu. Atualmente, 75 dos 120 leitos do hospital estão reservados para o SUS.
Com o desligamento, a cidade ficará com apenas 62 leitos para atender pelo sistema. Segundo a direção do hospital, os valores pagos pelo governo inviabilizam a manutenção do convênio.
Municipalização Raggio esteve em Foz do Iguaçu para assinar convênio de municipalização do Centro Regional de Especialidades (CRE). O centro reúne médicos de 13 especialidades e tem 140 funcionários. Até agora, atendia pacientes de todos os municípios da região.
Durante a solenidade, o prefeito Harry Daijó (PPB) lançou o programa Foz Mais Feliz: Saúde Plena, que prevê a reestruturação da área no município. A municipalização do CRE faz parte do programa, que prevê a aplicação de R$ 3,5 milhões mensais no sistema.


