Estado será processado por causa de um exame de Aids
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de setembro de 2000
Michele Muller De Curitiba 
Uma doadora de sangue do Hemepar resolveu processar o Estado do Paraná depois de esperar seis meses para saber se era ou não portadora do HIV vírus causador da Aids. Em setembro do ano passado, a auxiliar de enfermagem Neli Macedo foi avisada pelo Hemepar que seu exame de sangue registrou presença do HIV. O resultado foi seguido de outros cinco exames. Apenas o último teste, realizado em março num laboratório de São Paulo confirmou: ela não estava com Aids.
Foi um grande transtorno para mim e minha família. Eu passei meio ano desesperada, tentando provar que não tinha o vírus, contou. O advogado de Neli, José César Valeixo Neto, considera a demora do diagnóstico um grande descaso do banco de sangue. Se ela tivesse dinheiro para pagar os exames com certeza não viveria tanto tempo nessa tragédia, disse. Valeixo entrou com uma ação contra o Estado por danos morais.
A diretora do Hemepar, Elizabeth Ciechomski, afirmou que esse tempo de espera é normal nos casos em que os exames apresentam resultados alterados. Segundo ela, a legislação nacional (portaria 488/98 do Ministério da Saúde) determina que as pessoas apontadas como portadoras em um primeiro exame não sejam liberadas do acompanhamento sorológico em menos de seis meses. Além disso, três testes realizados por Neli apontaram um resultado indeterminado, o que a obrigaram a repetir a coleta tantas vezes.
A bioquímica do laboratório Frischmann Aisengart, Elvira Doi, confirmou a possibilidade da demora do diagnóstico. Isso porque, segundo ela, o paciente deve esperar 30 dias para cada coleta quando os testes não confirmam nem descartam a presença do HIV no sangue. Normalmente, no entanto, os resultados dos exames de confirmação são definidos e repassados aos pacientes em uma semana.
De acordo com Elizabeth, o estresse pode ser responsável por induzir a ação de falsos reagentes, o que altera o laudo dos testes. Ela contou que cerca de 15% das bolsas de sangue coletadas pelo Hemepar são descartadas por apresentarem problemas na triagem. Antes do sangue ser disponibilizado para doação, são realizados dez tipos de exames. De cada 100 mil testes de HIV, 450 apresentam resultado alterado. Nesses casos, os pacientes são contactados pelo Hemepar para realizarem nova coleta.


