Estado resiste e não cede às exigências
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segunda-feira, 09 de outubro de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
O secretário de Segurança Pública do Estado, José Tavares, recusou a exigência de entregar carros e armas para a fuga dos 16 presos. Ninguém tem esse poder acima da lei, disse Tavares aos rebelados. Para acalmar os internos, o secretário determinou que os policiais militares do Batalhão de Choque deixassem de fazer a segurança externa da PCE por volta das 14 horas.
As negociações só começaram cerca de três horas depois. Os revoltosos exigiram a presença da imprensa, que até então estava limitada a acompanhar o motim a 500 metros do presídio. Um dos líderes, Jaércio Henrique da Silva, o Baianinho, iniciou a conversa de um palanque de madeira montado para reformar uma das alas destruídas na última rebelião, em 5 de junho. Nós não estamos pedindo, e sim exigindo. Queremos ir embora. O nosso objetivo é a liberdade, avisou.
Tavares, que estava em uma guarita junto com os jornalistas, respondeu de novo que não poderia fazer a concessão. Nada de arbitrário e violento vai acontecer. Vamos conversar. Mê dêem a lista dos presos que querem ser transferidos e faremos isso imediatamente. Baianinho voltou a insistir: nós não estamos de brincadeira. Analisem a situação dos automóveis, do carro-forte e dar armas. Queremos passar por aquele portão e ir embora.
Um dos detentos, identificado apenas por Júnior, chegou a fazer ironias. Secretário, nós temos palavra. Mande um carro forte bem blindado e com muita munição pra gente não levar bala, declarou. Tavares tentava fazer os presos entenderem que não havia meios legais para liberá-los. As sentenças de vocês já foram aplicadas. Eu nada posso fazer.
A vida destas pessoas está nas suas mãos secretário, afirmou o detento Ademar Maboni, apontando para quatro dos sete agentes penitenciários que são reféns. Ele propôs que Tavares fosse voluntário na troca por um refém. O secretário não aceitou. Já fizemos, atendemos muitos pedidos. Agora é a vez de vocês nos darem alguns reféns. Maboni foi condenado a 20 anos de cadeia pela morte do cônsul argentino Daniel Altamiranda, em 1995.
Estou preso por um crime que eu não cometi. O governo do Estado fraudou a solução, disse Maboni. A conversa foi encerrada por volta das 17h30 com a promessa de que a PM não invadiria a PCE. Tavares acredita que os presos podem mudar de idéia.
O telefone celular 9182-5868, usado pelos presos em Piraquara, é um número da operadora Global Telecom, de Curitiba. A empresa não fornece o nome do titular do telefone, nem o tempo de uso. Essas informações só podem ser obtidas com ordem judicial. A Folha ficou sabendo da rebelião na madrugada de ontem depois de um contato feito pelos presos por celular.


