O governo estadual mostra-se convicto em resistir aos apelos econômicos e sociais ligados ao Rio Tibagi - seja dos pequenos pescadores, dos mineradores de areia ou dos aspirantes à construção de hidrelétricas. É o que transmite o secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Luiz Eduardo Cheida, entrevistado pela Folha a respeito dos impasses abordados na série de reportagens concluída hoje.
Ao falar da exploração do rio pelo homem, o secretário se adianta a perguntas sobre grandes empreendimentos no Tibagi e sentencia: ''A Secretaria de Meio Ambiente está terminantemente contrária à construção de hidrelétricas. O Tibagi é um dos últimos rios do Paraná inexplorados neste sentido, e nem por isso deixa de existir um apetite voraz em transformá-lo num rio como os demais. Seria desastroso''. Ele faz côro com biólogos e ambientalistas ao defender a construção de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) ao invés de grandes usinas.
Sobre a possível extinção de todos os portos de areia de Ponta Grossa em decorrência do projeto de criação de unidades de preservação nos Campos Gerais, Cheida diz que o Estado irá apoiar o governo federal. ''Será impossível permitir esse tipo de ação (a mineração) dentro dos parques. O problema é que esse setor evoluiu muito pouco em termos de tecnologia, e o empresário não está disposto a fazer grandes investimentos para reduzir o impacto na natureza. Se o fechamento dos portos for o preço a pagar para se ter uma preservação ambiental, que assim seja'', assevera.
O secretário minimiza o impacto social da proibição da pesca na Bacia no Rio do Tibagi, alegando que grande parte dos pescadores comerciais que atuavam no Estado não dependiam da atividade para sobreviver. ''Se formos quantificar pelo número de carteirinhas (de pescador comercial), que deveriam ser distribuídas a quem ganha até um salário mínimo, teremos uns 6 mil pescadores. Mas aí você vai verificando que tem gerente de banco, dono de posto de gasolina entre essas pessoas'', aponta.
''Houve ao longo dos anos uma permissividade que degradou o objetivo principal da pesca profissional, que era dar renda aos pequenininhos. Segundo os critérios originais, são apenas 254 pescadores'', prossegue. Cheida insiste na tese de que a proibição da pesca, junto com o lançamento de 20 milhões de alevinos até 2006, é fundamental para repôr a vida no rio. ''Não é possível continuar permitindo que o dono de supermercado encha seu freezer todo dia com peixe do Tibagi, usando para isso o laranja, aquele cidadão que está passando fome, vai pro rio e joga redes'', salienta.
A alternativa para a sobrevivência dos pescadores, diz Cheida, será a implementação de tanques-rede com financiamento do Estado. Por hora, o governo está fornecendo cestas básicas e contratando pescadores para plantio de árvores. Esta última medida, que já está valendo no Rio Ivaí, ainda não chegou ao Baixo Tibagi, de acordo com os pescadores.(V.N.)

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