Cerca de 40% dos servidores estaduais estão seriamente endividados, segundo dados dos Sindiservidores. Nos últimos cinco anos, dez financiadoras se instalaram no Centro Cívico, em Curitiba, bairro onde ficam as secretarias e as sedes dos poderes públicos estaduais e municipais. Na média, as taxas ficam acima de 12% ao mês.
Apesar disso, o secretário de Estado da Administração, Reinhold Stephanes Júnior diz acreditar que o número de servidores estaduais endividados seja muito pequeno. Segundo ele, apenas 2% dos funcionários têm desconto de financiamentos bancários em seus contracheques. ‘‘Todos feitos dentro do que a lei permite’’, disse. ‘‘Com taxas de juros abaixo do mercado, variando entre 5 a 6%’’, afirmou.
De acordo com o secretário, na folha de pagamento estadual não existe cobrança de dívidas de funcionários contraída com agiotas. A explicação de Stephanes Júnior foi dada ao secretário estadual de Proteção e Defesa do Consumidor, José Tavares, que, seguindo a proposta nacional do Ministério da Justiça, quer barrar o desconto nos contracheques de empréstimos feitos com financiadoras sem registro na Receita.
Para Stephanes, as dívidas feitas com agiotas não podem ser atribuídas ao governo estadual. ‘‘Os salários pagos estão dentro da normalidade e também não posso me responsabilizar pelas atidudes tomadas pelo funcionalismo’’, disse. No sindicato dos servidores, existem dez processos de despejo de funcionários, sendo que um deles mora na favela da Vila das Torres.
O secretário José Tavares considera que, mesmo com o grande número de anúncios publicitários, a ação de agiotas ou financeiras é pequena em Curitiba. ‘‘No primeiro semestre do ano passado, foram registradas 42 queixas contra 18 no mesmo período deste ano’’, disse.
Para ele, a estabilização da moeda fez com a sociedade contraísse dívidas em crediários, recorrendo a empréstimos. ‘‘Isso não é exclusividade entre os servidores e deve ser denunciado nos órgãos de proteção ao consumidor, quando houver cobrança abusiva de juros’’.

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