Estado poderá custear viagem para Centros de Referência
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segunda-feira, 21 de julho de 2008
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A portaria do Ministério da Saúde, incluindo a cirurgia de mudança de sexo na lista de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS), que deverá ser assinada até o final do mês, animou transexuais paranaenses. De acordo com a ONG Dignidade, dez pessoas estão na fila para fazer o procedimento no Estado.
Segundo Carla Amaral, integrante do Grupo Dignidade e presidente do Transgrupo Marcela Prado (associação de transexuais e travestis), hoje não é possível fazer o procedimento no Paraná. ''Existem quatro centros de referência que fazem a cirurgia gratuitamente no Brasil. Mas todos em caráter experimental. Esperamos que, com a decisão do Ministério da Saúde, facilite o acesso ao procedimento às pessoas daqui'', conta. Os centros de referência estão em Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia.
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, após a implementação da portaria, a princípio os pacientes continuariam a ser encaminhados para as cidades que já disponibilizam a cirurgia, mas com ajuda de custos. Nem a secretaria estadual, nem a municipal de Curitiba sabem informar se algum hospital deve se habilitar em breve para o serviço. Segundo Carla Amaral, a operação em clínicas particulares chega a custar R$ 20 mil, mas também não é oferecida no Paraná.
Para fazer a mudança de sexo, o paciente deve passar por dois anos de acompanhamento psicológico e psiquiátrico semanal, além do processo de transexualidade que envolve hormonioterapia e vários exames clínicos. Esse processo impede que aqueles que não moram nas cidades do centro de referência estejam aptos ao procedimento.
Uma transexual de Curitiba chegou a acionar a Justiça pelo direito à cirurgia. Segundo a advogada Gabriela Toazza, sua cliente passou por todo o processo de avaliação para o procedimento e chegou a morar em Porto Alegre na esperança de conseguir ser operada, mas ela foi rejeitada pela Secretaria de Saúde gaúcha por não ser nascida naquele Estado. A transexual entrou com processo contra a União e conseguiu um parecer favorável em primeira instância. De acordo com Gabriela, ela passou por perícia médica e foi considerada apta para o procedimento. Se vencer a ação, o Estado deverá pagar todos os custos e encaminhá-la para o centro de referência.


