Londrina - Dois helicópteros canadenses, comprados há exatos dez anos para serem usados na área de segurança, ainda integram a frota do Governo do Estado mas são usados pela Defesa Civil e outras secretarias. Enquanto isso, a Secretaria de Segurança Pública gasta R$ 180 mil mensais na locação de duas aeronaves que atendem o Centro de Operações Aéreas (Coer). Se não existissem barreiras legais, como a Lei de Responsabilidade Fiscal por exemplo, o dinheiro gasto mensalmente com o aluguel dos helicópteros poderia ser usado na contratação de 200 policiais militares com os atuais salários, ou na compra de dez viaturas.
  De acordo com informações da Casa Militar, os helicópteros adquiridos em 1992 atualmente prestam serviços à Defesa Civil e secretarias. A Folha não conseguiu levantar os valores pagos na época pelos aparelhos, mas apurou que eles foram comprados com dinheiro dos fundos de Reequipamento das Polícias Militar (Funpm) e Civil (Funrespol). A princípio, deveriam executar as mesmas atividades dos atuais helicópteros usados pela Secretaria de Segurança, mas teriam sido desvinculados da função já nos primeiros anos de atividade. Na época, o deputado Mario Bezerra pediu a abertura de uma comissão de investigação (ofício protocolado em 25 de outubro de 1994), destacando supostas denúncias de superfaturamento e falta de comprovações de uso da aeronaves.
  ‘‘São propósitos diferentes, tanto que nós mantemos um acordo junto a Infraero para garantir vôos até meio metro do chão. O que não ocorre com os helicópteros da Casa Militar, cuja configuração é semelhante ao táxi-aéreo’’, justifica o comandante do Centro de Operações Aéreas, coronel Antonio Carlos de Paula Ribas. ‘‘Os equipamentos antigos podem ser usados por nossa equipe, mas precisam passar por solicitações e ofícios. Além disso, eles não oferecem estrutura para equipamentos de resgate, de combate à incêndio e até uso de macas’’, afirma.
  Jorge Luiz Mattke, da chefia de Gabinete da Casa Militar, confirma que não há ligação entre as atuais atribuições dos equipamentos de ambos os órgãos. ‘‘Os dois helicópteros canadenses não estão ligados à Secretaria de Segurança, mas podem ser solicitados em casos de extrema emergência. As aeronaves atendem outras secretarias e a Defesa Civil’’, explica Mattke, lembrando que os equipamentos canadenses são mantidos em um hangar no Aeroporto do Bacacheri, região norte de Curitiba.
  Para a implantação do Centro de Operações Aéreas, que completou esta semana 60 dias de atividades, o Governo criou um decreto estadual para dar autonomia à Secretaria de Segurança. Isto porque um decreto anterior (nº 3488, de fevereiro de 2001) determinava que a responsabilidade pela aquisição e uso de aeronaves do Estado era da Casa Militar.
  Em dois meses de atividades o Coer realizou ações em Curitiba (um dos aparelhos é mantido na capital) e no interior. A equipe já esteve em Londrina, Foz do Iguaçu e Cascavel e Maringá. ‘‘Das 84 ações registradas, temos os socorros prestados a 16 vítimas graves. Cinco delas teriam morrido se não fosse a utilização dos helicópteros. Só isso, já justifica os gastos com eles’’, afirma o coronel Ribas, referindo-se ao aluguel das duas aeronaves. O coronel considera que a aquisição dos novos equipamentos foi ‘‘primordial’’ para a melhoria no atendimento à comunidade e no combate à violência.

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