Estado não reconhece intervenção do Educandário
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quarta-feira, 03 de novembro de 2004
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Seria inusitado se o fato não comprovasse uma falta de diálogo entre governo estadual e a judiciário londrinense. Enquanto o secretário de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social, Padre Roque Zimermann, nomeou ontem à tarde Laura Okamur, como a nova diretora da Unidade Social Oficial de Internação de Londrina (Osoil), conhecida como Educandário, o juiz da Vara da Infância e Juventude, Ademir Ribeiro Richter, nomeava o novo interventor da unidade, Márcio Filla. A falta de sintonia põe em risco internos e educadores. No feriado, um educador foi mantido como refém, ameaçado de morte com um estoque no pescoço para que abrisse as galerias.
Zimermann afirmou que a diretora assume o Educandário hoje pela manhã, dizendo ainda que a especialista em adolescentes já estava ontem na cidade. Laura chegou a ser indicada pela Vara da Infância e Juventude para ser a interventora da unidade. Porém, depois de esperar praticamente a semana passada inteira por ela, o juiz acabou nomeando Filla, que ontem à tarde fez uma visita ao Educandário, afirmando começar a trabalhar a partir de hoje.
Bastante irritado, em entrevista por telefone, Zimermann disse não reconhecer a intervenção na unidade londrinense, acrescentando que na sexta-feira à noite esteve discutindo com Laura a nemeação para a direção do Educandário, aceita pela especialista paulista - pessoa destacada pelo secretário como de sua mais absoluta confiança.
Richter afirmou que entregou em mãos ao secretário uma cópia do despacho sobre a intervenção. ''Entreguei pessoalmente, quando estivemos reunidos para discutir a intervenção'', destacou o juiz.
Zimermann continua negando que tenha sido informado sobre a intervenção. ''Ele (Richter) não me entregou coisa alguma. Se tivesse me entregado, eu teria assinado o recebimento. Se o juiz falou que me entregou é uma inverdade. Cheguei a pedir uma cópia e eles não conseguiram achar essa cópia. Ficaram de me mandar. Ele falou uma inverdade absoluta''.
Em meio à falta de consenso, Filla esteve ontem à tarde no Educandário, conversando com educadores e examinando documentos para que possa ser feito um termo de ajustamento, que determinará algumas ações que devem ser tomadas na unidade.
Filla garante que deverá ser realizado um estudo de caso sobre a situação de cada interno para conseguir benefícios, como a prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida ou semi-aberto - uma das medidas para diminuir o clima de tensão no Educandário, que ontem estava com 43 internos, já que um fugiu no último sábado.
O interventor disse ainda que analisará com os educadores, quais são os pontos vulneráveis da unidade para que possa buscar soluções junto ao Instituto de Ação Social do Paranã (IASP).
''Em dezembro deverá haver um treinamento para os educadores de todas as unidades do Paraná'', ressaltou Filla, que em três ou quatro dias deverá ter uma idéia melhor da situação da unidade londrinense e se deverá ser realizada novas adequações no espaço físico para garantir a segurança, ressaltou o interventor que por cinco anos dirigiu o Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi), além de ter sido diretor da Escola Oficina por seis anos, fazendo parte do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, há 18 anos.
Ontem à tarde, cerca de 20 policiais militares esvaziaram os alojamentos para que os educadores realizassem uma revista. Foram achados vários estoques confeccionados com pedaços de grades e até de latões.
O juiz da Vara da Infância e Juventude disse que os 11 adolescentes que vieram de Curitiba estão bastante nervosos e tentam fazer com que os demais integrem uma gangue dentro da unidade.


