Estado não paga entidade de apoio a deficientes mentais
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 1997
Luka Morais 
Paulo WolfgangRosângela: Acabou-se o respeitoOs 27 professores do Centro Ocupacional de Londrina (COL), localizado no jardim Colina Verde (zona oeste), estão sem receber os salários, que deveriam ser pagos pelo Governo do Estado. O último pagamento foi feito no dia 20 de dezembro, com o repasse das parcelas do 13º salário.
Mas os problemas no Centro não se restringem aos professores. O uso das credenciais que dão direito ao passe livre a portadores de deficiências foi interrompido porque a empresa de Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) entrou na Justiça contra a abrangência da lei municipal, que garante também gratuidade do ônibus a doentes crônicos. Com isso, os pais de 51 alunos carentes, que tinham o passe livre no transporte coletivo, deixaram de levar os filhos ao COL.
Caímos no meio de uma guerra do Lopes (Manoel Lopes, diretor da TCGL) com a Prefeitura e quem sai prejudicado são nossos alunos, que não poderiam ficar sem atendimento, lamenta a presidente do COL, Rosângela Marques Busto. O passe livre é um direito adquirido pelos alunos carentes, que não pode ser deixado de lado. Rosângela diz que a Secretaria municipal de Ação Social, sensibilizada com o problema, chegou a fornecer alguns passes este ano, mas que chegaram ao fim na semana passada.
De acordo com a presidente do Centro de Ocupação, os portadores de deficiências mentais são submetidos ao trabalho de uma equipe multidisciplinar e não podem ter o tratamento interrompido. Acabou-se o respeito com o portador de deficiência, um cidadão que tem direito à saúde e educação mas que não está sendo respeitado, critica Rosângela Busto.
A professora Ângela Maria Bazzo Veiga conta que, sem receber salários, ela e os colegas enfrentam dificuldades. Todos temos compromissos mensais e os credores não entendem que estamos sem receber pagamento. Ela observa que para atuar nessa área é exigido curso adicional.
Preocupados com a situação, professores e pais de alunos do COL fizeram anteontem uma reunião e decidiram marcar uma audiência com o prefeito Antonio Belinati, que deve acontecer hoje. Vão pedir que interceda junto ao Estado para a liberação do salário dos professores e também das credenciais do passe livre dos alunos carentes.
A diretora-geral da Secretaria de Estado de Educação, Míriam Wellner, informou que foram solicitados recursos para várias entidades que enfrentam o mesmo problema. Ela disse que a Secretaria de Estado da Fazenda foi questionada mas não apresentou resposta.
O COL funciona desde 85, dando atendimento a deficientes mentais com características moderadas e severas, a portadores de múltiplas deficiências e distúrbios comportamentais. A entidade, explica a presidente Rosângela Marques Busto, foi criada com o intuito de acabar com o círculo vicioso que era o fim do atendimento à criança que deixava a instituição e ficava ociosa, tinha que ser internada em hospitais psiquiátricos e voltava a tornar-se agressiva. Passamos então a não atender as pessoas com mais de 15 anos, apesar de termos algumas exceções, observa Rosângela.
A entidade atende gratuitamente a 123 portadores de deficiência mental na faixa de 10 a 57 anos. Possui 35 profissionais, mantidos pela Secretaria de Estado da Educação, que deveria repassar cerca de R$ 15 mil por mês à entidade. A Prefeitura é responsável pelos salários da equipe técnica. Estes salários estão em dia.


