Estado não aplica 25% em educação
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de agosto de 1998
Eledovino Bassetto Junior 
Os governos estaduais estão, sistematicamente, deixando de aplicar 25% de suas receitas em educação, como determina a Constituição. A informação é revelada num trabalho de especialização apresentado na Faculdade de Ciências Humanas de Curitiba. Para os professores Mário Sérgio Ferreira de Souza, Silmara Valnie Hykavei e Valdir Izidoro da Silva, existe um sistemáticoarranjo contábil nas prestações de contas, aceito tacitamente pelos Tribunais de Contas, o que configura o descumprimento da Constituição Federal.
O estudo considera o financiamento da educação pública no Paraná entre 1992 e 1996. Nesse período, diz o professor Mário Sérgio, fica evidenciada uma confusão entre o que é gasto com educação propriamente e com atividades complementares. O que se tem observado é uma tendência em considerar como despesa em educação uma série de gastos que extrapolam os parâmetros estabelecidos para esse tipo de investimento, tais como atividades esportivas e culturais, afirma o professor.
O grande problema, avalia, é o conflito gerado pela dificuldade em conceituar O que é educação? e O que é ensino?, pois tanto a Constituição Federal quanto a Estadual são omissas em relação às despesas. Por isso, gastos com aposentadorias e transporte escolar acabam sendo jogados na conta da educação. Recurso destinado a pagamento de pensionistas, que estão inativos e não têm nenhuma ligação com a educação, é o caso mais absurdo, critica Mário Sérgio. O arranjo contábil é evidente, diz ele.
Folha - Como nasceu a idéia desse trabalho?Professor aponta arranjo contábil, que permite incluir outras despesas, como previdenciárias, na conta da educação
Existe um sistemático
arranjo contábil,
aceito pelos Tribunais
de Contas, diz professor


