Representantes do Governo do Estado lançaram ontem em Londrina a primeira etapa do projeto que estabelecerá na cidade o Jardim Botânico. A previsão é que a obra, orçada em aproximadamente R$ 23 milhões, esteja aberta ao público já no final deste ano. Já a segunda etapa, que prevê centros de estudo em biodiversidade e projetos para parcerias em pesquisa, deve ficar pronto apenas no final de 2008.
O empreendimento está localizado na Zona Sul, próximo ao Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), onde ontem estiveram presentes na solenidade de lançamento do projeto o governador Roberto Requião (PMDB) e o secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Luiz Eduardo Cheida, junto com autoridades municipais.
Para o governador, o espaço cuja área contou com a colaboração de terras de proprietários locais, da Associação Brasileira de Educação e Cultura e do próprio Iapar será uma espécie de centro de ''culto à biodiversidade''. ''A digestão nossa é feita com ajuda de bacilos e bactérias, vivemos em simbiose com a natureza. Enquanto mundo parece estar se esquecendo disso, partindo para a transgenia, acredito em um espaço de função didática e pedagógica como esse'', avaliou.
De acordo com Cheida, até dezembro a comunidade terá acesso ao que ele chama de ''abertura precária, mas pelo menos com lagos, jardins, vias de acesso, ciclovia e pista de pedestres. Aqui será uma obra sempre em construção, como é a UEL (Universidade Estadual de Londrina)'', comparou.
Na chegada da comitiva oficial, um grupo de moradores do bairro Vivendas do Arvoredo reclamou da retirada de árvores nativas, algumas centenárias, que haveria no local. ''Começaram a tirar lá de baixo para cá, em direção ao bairro, de modo que não teve como sabermos de nada'', reclamou a administradora Lúcia de Azevedo, 30. Docente na UEL, Elena Andrei, 51, completou: ''O Iapar vive carecendo de verba para pesquisa e de pessoal. Temos receio de que lancem o Jardim Botânico, façam essa devastação de mata nativa, e o abandonem depois''.
Cheida garantiu que as árvores derrubadas foram vistoriadas e licenciadas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Depois, se disse surpreso de não ter sido procurado antes pelos vizinhos, mas se colocou à dispoição para conversar com a comunidade. ''Vou me reunir com eles, até para que conheçam o projeto e saibam das benfeitorias que serão feitas para a região.''

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