A pecuária foi alçada ao papel de vilã quando o assunto é a degradação dos recursos naturais. Estudo da Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) do ano passado indica que a atividade é a que mais usa recursos naturais do planeta e que sua expansão acelera o desmatamento e queimadas de florestas. Uma boa notícia é que produtores paranaenses já produzem carne de forma sustentável. A questão é que no balcão do açougue fica difícil saber como o bife foi produzido.
Segundo a FAO, a pecuária consome 8% da água mundial, responde por 18% das emissões de gases do efeito estufa (mais que os transportes), emite 37% do metano no mundo e ocupa 80% de toda a área agrícola. E isso deve piorar, pois a previsão é de que a produção atual de 463 milhões de toneladas por ano terá que dobrar até 2050 para atender a demanda.
Pesquisador da Embrapa-Florestas e que desenvolve estudos na Fazenda Modelo do Iapar em Ponta Grossa, Vanderley Porfírio-da-Silva garante que parte da crucificação da pecuária se deve ao fato de que o Brasil é o maior exportador mundial - detém 30% do mercado - e é uma ameaça porque produz a carne mais barata. ''Ainda se pratica uma pecuária com baixa tecnologia e com alto custo ambiental no Brasil, mas não é a realidade de todo o país'', assegura.
O especialista destaca que hoje há 400 criadores do Paraná desenvolvendo uma pecuária sustentável em 10 mil hectares, pelo sistema silvipastoril: combinação de árvores, pastagens e gado numa mesma área e ao mesmo tempo, visando incrementar a produtividade. Ele afirma que esta união possibilita neutralizar as emissões de metano, minimiza a degradação do solo e melhora o ganho de peso e bem estar dos animais. Tal técnica poderia ajudar o Brasil a cumprir o compromisso de reduzir em até 38,9% as emissões de carbono até 2020.
Porfírio-da-Silva engrossa as fileiras dos favoráveis à certificação ambiental do boi brasileiro, uma vez que hoje o consumidor não sabe como foi produzido o bife que consome. ''Ninguém irá conseguir exportar carne se não houver garantias ambientais'', adverte, lembrando que a Associação Brasileira dos Criadores de Gado (ABCG) já trabalha neste sentido.

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