Luciana Pombo
De Curitiba
O Departamento de Construções, Obras e Manutenção (Decom) da Secretaria de Estado de Obras Públicas começou a vistoriar as escolas públicas com problemas de infra-estrutura. Anteontem, uma sala de aula da Escola Estadual Sebastião Saporski, no bairro Abranches, em Curitiba, foi interditada. De acordo com os engenheiros que vistoriaram a obra, a sala é muito antiga e as madeiras estavam em estado precário de conservação, representando risco aos alunos.
Os 34 alunos da pré-escola, que estudavam no local pela manhã, e os 35 alunos de primeira série, que usavam o espaço à tarde, foram deslocados temporariamente para a biblioteca da escola. Segundo a diretora Mercedes Antonia Gonçalves, a sala era muito antiga e precisava de reparos. ‘‘O local foi construído em 1979 e é normal que tenha problemas’’, justificou. Ela negou que tenham outros problemas de infra-estrutura na escola.
Merces Antonia disse que a Fundepar deverá liberar os recursos para a construção de um novo espaço, com duas salas e um banheiro, para acomodação dos alunos. O custo da obra está estimado em R$ 16,5 mil. Enquanto a diretora nega problemas na estrutura da escola, os alunos reclamam.
Segundo a estudante Flávia Santos de Lima, de 12 anos, as dificuldades ocorrem em dias de chuva. ‘‘Quando chove, temos que empurrar as carteiras para não ficarmos molhados por causa das goteiras’’, conta ela. Flávia disse que tem medo de ir a escola nos dias de chuva. ‘‘Nunca chegou a inundar, mas sempre ficamos com medo’’, disse ela.
Outros colégios antigos também estão sofrendo com problemas de infra-estrutura. É o caso da Escola Estadual Dom Pedro II, fundada em 1928. Os telhados estão sendo reformados por causa das constantes goteiras e a parte elétrica precisa ser completamente trocada. ‘‘Estamos resolvendo aos poucos os problemas, mas não é fácil’’, contou Marina Joana, diretora da escola. De acordo com ela, o maior problema é no banheiro feminino, onde os encanamentos de ferro estão completamente enferrujados. ‘‘Estamos tentando remediar o problema, mas o certo seria trocar todo o encanamento’’, argumentou.
O secretário educacional da Associação Paranaense dos Professores (APP-Sindicato), Miguel Baez, disse que cerca de 10% das escolas públicas estão com deficiência em infra-estrutura. De acordo com ele, os problemas atingem, principalmente, as construções mais antigas. ‘‘Em alguns locais, a situação é caótica’’, disse ele. Entre os locais citados por Baez, estão os Institutos de Educação de Paranaguá e Ponta Grossa. ‘‘São prédios históricos e que precisam de reparos urgentes’’, disse ele.
Em Paranaguá, a escola já foi interditada e deverá ser reformada nos próximos dias. Os cerca de 2.500 alunos foram deslocados para outros colégios públicos do município. Baez disse ainda que inúmeras instituições educacionais da Região Metropolitana de Curitiba estão funcionando com ‘‘extrema dificuldade’’.
Em Tamarana, que fica 62 quilômetros ao sul de Londrina, alunos e professores do Colégio Estadual Professora Maria Cintra de Alcântara ameaçam paralisar as aulas caso o Estado não tome providências para resolver as deficiências de infra-estrutura da escola. Entre as reivindicações dos professores e alunos estão a reforma das instalações elétricas, hidráulicas e ampliação de salas de aula.
Em Curitiba, a participação da comunidade possibilitou a construção de duas salas de aula e a ampliação de um local para reuniões na Escola Municipal Maringá, no bairro Pinheirinho. Os professores compraram cimento e a comunidade se responsabilizou pela terraplenagem. Foram ainda doados vitrôs, telhas e madeiras. Atualmente, a escola conta com 763 alunos.Secretaria de Obras interdita escola em Paranaguá e sala de aula em Curitiba. Em Tamarana, alunos ameaçam greve
José SuassunaPrecárioUma sala de aula da Escola Estadual Sebastião Saporski foi interditada ontem, em Curitiba, depois de vistoria do Decom

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