Estado fornecerá cateter a preço de custo
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quarta-feira, 06 de fevereiro de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
No final de janeiro, o governo estadual assinou um compromisso para o fornecimento, a preço de custo, dos primeiros cateteres fabricados no Brasil para pacientes com câncer atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cateter totalmente implantável ''basic port'' é resultado de um projeto desenvolvido pelo Instituto de Bioengenharia Erasto Gaertner (Ibeg), com recursos da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná.
De acordo com a secretária da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Lygia Puppato, o custo unitário do ''basic port'' é de R$ 207,36, enquanto produtos similares, importados dos Estados Unidos e da Europa, custam entre R$ 750,00 e R$ 2.250,00. ''Com esse cateter, o Paraná vai oferecer um tratamento humanitário a milhares de pacientes que precisam''. avalia. Ao todo, a Secretaria investiu cerca de R$ 500 mil no projeto, que teve início em 2004.
Fabricados em titânio e pesando apenas 20 gramas, os cateteres podem ser implantados em adultos e crianças. Trata-se de uma forma de acesso permanente ao sistema vascular que não utiliza a punção dos vasos sanguíneos periféricos.
Segundo o oncocirurgião Marco Antonio Buges, do Instituto do Câncer de Londrina (ICL), a implantação do cateter evita complicações como a flebite e a trombose, decorrentes de constantes infusões de medicamentos no tratamento de pacientes com câncer.
''O cateter proporciona mais conforto ao paciente. Com um desenho anatômico em forma de gota, os cateteres exigem incisões menores e podem ficar alojados no corpo humano até dois anos'', diz Buges. Conforme ele, a implantação do dispositivo é feita por meio de cirurgia, que dura cerca de 40 minutos e requer anestesia geral.
O cirurgião explica que as diretrizes do Ministério da Saúde preconizam que todo paciente que faz quimioterapia deve usar um cateter, mas devido ao alto custo do dispositivo, somentes crianças e pacientes sem condições de acesso venoso, devido ao longo tempo de tratamento, recebiam um.
''Com o fornecimento pelo Estado, o paciente com câncer já poderá receber o cateter no início da quimioterapia e terá mais conforto durante o tratamento'', diz Buges. Além de evitar lesões nas veias, o uso do cateter facilita a absorção do medicamento pelo organismo já que o remédio é diluído naturalmente na veia de alto fluxo sanguíneo, localizada principalmente na região peitoral do paciente.
A pequena Ellen Luana Pelais de Oliveira tem apenas seis anos e há seis meses descobriu ser portadora de leucemia. Nascida em Lupionópolis (105 km ao norte de Londrina), ela viaja há quatro meses para o Hospital do Câncer de Londrina para as sessões semanais de quimioterapia. Há três meses, ela recebeu um cateter no peito para facilitar a infusão dos medicamentos.
Para Lucia Aparecida Pelais, mãe de Ellen, o cateter facilitou o trabalho dos enfermeiros. ''Antes era meio difícil achar uma veia para aplicar o remédio e sangrava muito. Agora ficou melhor. Ela já não sofre tanto'', comenta.
Segundo a enfermeira Sonia Regina de Oliveira, do ICL, o cateter facilita bastante o trabalho da enfermagem, principalmente no trato com crianças. ''É muito estressante puncionar crianças porque elas se debatem muito e com o cateter basta puncionar uma vez para aplicar a medicação.''
Para a enfermeira, a vantagem do cateter é a praticidade. ''O paciente pode até ir para casa com o cateter. Antes dele sair do hospital nós tiramos todo o soro, lavamos o dispositivo e aplicamos uma dose de heparina para evitar a coagulação sanguínea. Ele só precisa vir ao hospital a cada 15 a 21 dias para a manutenção.''


