Longe de ser um tema unânime, a restrição de horários de funcionamento de bares deve voltar à ordem do dia no Paraná. Ontem, durante a reunião semanal ''Mãos Limpas'', o Governo do Paraná e o Ministério Público acertaram que vão sugerir aos municípios com altos índices de violência que adotem a chamada ''Lei Seca'' exigindo o fechamento de bares em horários pré-estabelecidos. Em Londrina, um projeto de lei sobre o assunto foi retirado de pauta por não haver consenso.
O governo e o MP argumentam que a medida seria eficiente, sobretudo, no combate a crimes graves, como assassinatos. Mas como cabe aos governos municipais legislar sobre o tema, o que o Estado vai fazer é sugerir um anteprojeto de lei para tentar estimular as Câmaras a aprovar as mudanças. ''Acreditamos que, com esta regulação, haverá decréscimo nos crimes dolosos contra a vida e também nos crimes contra o patrimônio'', comentou o procurador-geral do Ministério Público, Olímpio de Sá Sotto Maior Neto, à Agência Estadual de Notícias (AEN).
O secretário de Estado de Segurança Pública (Sesp), Luiz Fernando Delazari, apontou que municípios que adotaram restrições no horário de funcionamento de bares observaram diminuição sensível de crimes. Ele citou que em Fazenda Rio Grande, município com 75 mil habitantes próximo à capital, os homicídios teriam caído 60% após a adoção da Lei Seca. ''É provado estatisticamente que a lei de fechamento de bares até a meia-noite ou 23 horas, dependendo do local, tem impacto direto na diminuição dos índices de crime contra a vida.''
A Câmara de Vereadores de Londrina já discutiu um projeto de lei sobre fechamento de bares. Foram realizadas várias audiências públicas, o texto foi alterado por pelo menos três substitutivos mas em fevereiro a proposta foi retirada de pauta por tempo indeterminado.
''Qualquer medida que preserve uma vida que seja deve ser considerada'', afirmou o presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Cláudio Espiga. No entanto, ele lembrou que boa parte dos crimes contra a vida cometidas em Londrina têm vinculação com o uso ou tráfico de drogas e não, necessariamente, com o horário de funcionamento dos bares.

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