Paulo Ubiratan
De Londrina
Aumentou a violência nas escolas do Estado e, se nenhuma medida for tomada para conter o problema, a situação tende a piorar. O alerta vem do próprio governo estadual e foi feito pelo assessor da Secretaria de Segurança Pública, Carlos Marcassa. ‘‘Se não forem tomadas medidas urgentes, com a participação de toda a sociedade organizada, pouco vai adiantar colocar policiais em cada uma das escolas do Paranᒒ, afirmou o assessor. A pedido do secretário Cândido Martins de Oliveira, ele está coordenando trabalho para buscar a solução e diminuir o problema. Hoje, Marcassa está em Londrina para participar de uma reunião no Núcleo Regional de Educação (NRE) e discutir o assunto.
O assessor disse que a violência nas escolas de Londrina está também aumentando e o problema se parece com os de outras cidades do Paraná, inclusive, com as mesmas características de Curitiba. Há muitos registros de furto, depredação e agressão corporal. ‘‘A violência é na maioria das vezes praticadas por gangues montadas nas escolas que depois se alastram para os campos de futebol e bairros. Na nossa avaliação, em Londrina, as gangues ainda não se expandiram para os campos de futebol porque não existe uma rivalidade forte entre as duas equipes (Londrina Esporte Clube e Portuguesa Londrinense). Esta é a única diferença’’.
Na reunião de hoje, com a chefe do Núcleo Regional de Educação, Genoveva Belucci, Marcassa vai discutir um plano de ação conjunto para todas escolas da cidade. Ele salientou que a qualidade de vida de um município é marcada pela qualidade de vida escolar. ‘‘Sem esta base de nada adianta esforço para se melhorar as outras atividades humanas’’.
Conforme o dossiê da Secretaria de Segurança, um dos principais motivos para o aumento da violência nas escolas é o uso de drogas e a facilidade de comprar bebida alcoólica. Em segundo lugar vem a televisão, pois além de ser a responsável pelo afogamento do diálogo familiar, a maioria da programação resume-se em violência, sexo e drogas. Em terceiro lugar aparece a irresponsabilidade familiar.
O dossiê enfatiza que os pais, trabalhando o dia inteiro, cortam o diálogo e a atenção com os filhos, deixando-os à mercê dos vícios. Em decorrência dos problemas familiares, a escola, como instituição de ensino, passa a ter também a função de administrar conflitos familiares e sócio-econômicos dos alunos. No levantamento consta que isto geralmente causa sérios problemas aos diretores e professores, que pouco conhecem o Estatuto do Menor e do Adolescente e não sabem como agir diante das situações.
Os trabalhos para combater a violência nas escolas se iniciaram por decreto da Presidência da República em 13 de maio de 1998, junto com a Secretaria Nacional dos Direitos Humanos. A avaliação do problema está sendo feita em todo o País junto às escolas da rede pública e privada.

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