A folha de pagamento do funcionalismo estadual, que está sendo rodada neste final de semana, já inclui o desconto nos salários dos professores da rede estadual de ensino que aderiram à operação-tartaruga iniciada na última quarta-feira. De acordo com o diretor do Paraná Educação, Cláudio Bomfati, como já havia o indicativo de paralisação parcial, o governo decidiu segurar o lançamento da folha, que normalmente acontece entre os dias 8 e 10 de cada mês, para calcular as faltas.

Segundo Bomfati, mesmo que a paralisação até agora esteja sendo feita de forma parcial, com redução das aulas de 50 para 30 minutos, ele avisa que o desconto será integral. Ele disse que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação estabelece que as escolas devem cumprir, no ano, um total de 200 dias letivos e 800 horas de aula. Na análise do diretor, o fato de o professor manter as aulas de menor duração não atende à legislação. ''É o mesmo que eu pagar uma passagem para ir até São Paulo, mas me deixarem na metade do caminho'', comparou. ''Não tem sentido ficar contando os minutos trabalhados. Nem temos rotinas nos nossos computadores para fazer esse cálculo'', complementou.

A APP-Sindicato acusa a Secreataria de Estado da Educação de estar intimidando os professores com cortes nos salários e ameaçando de punição os diretores que participam do movimento. ''Ao invés de propostas, eles nos fazem ameaças'', declarou o secretário de organização da entidade, Luiz Carlos Paixão. Segundo ele, a secretaria teria distribuído ontem um documento a todas as escolas com o cálculo que será feito para o desconto proporcional das horas paradas. O diretor do Paraná Educação nega a existência do documento e rebate a acusação da APP-Sindicato, alegando que o que existe é uma ''conscientização'' de que os professores terão o dia descontado.

A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior informou que o reitores das universidades estaduais de Londrina, do Oeste do Paraná e de Maringá apresentaram ontem para o secretário Ramiro Wahrhaftig, em Curitiba, uma solicitação para iniciar as negociações sobre a pauta de reivindicações dos professores e funcionários, em greve desde o início da semana.

Wahraftig decidiu receber, na próxima semana, dois representantes de cada instituição, mas já adiantou que não há possibilidade de discutir qualquer reajuste salarial. Avisou, ainda, que os grevistas terão os dias descontados. Leia mais sobre a greve dos servidores na página 4

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